sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Temas Teosóficos - Simbolismo Religioso - excertos

Ísis Desvelada - Vol. 3


A Ísis egípcia era representada como uma Virgem Mãe por seus devotos, e segurando o seu filho, Hórus, nos braços. Em algumas estátuas e baixos-relevos, quando aparece só, ela está completamente nua ou velada da cabeça aos pés, Mas nos mistérios, em comum como quase todas as outras deusas, ela figura inteiramente velada da cabeça aos pés, como símbolo da castidade materna. Nada perderíamos se emprestássemos dos antigos um pouco do sentimento poético de suas religiões e da inata veneração que eles tinham por seus símbolos.
[...]
Podemos assim inferir que a única diferença característica entre o Cristianismo moderno e as antigas fés pagãs é a crença do primeiro num demônio pessoal e no inferno. "As nações arianas não tinham nenhum demônio", diz Max Müller. "Platão, embora de caráter sombrio, era um personagem respeitabilíssimo; e Loki (o escandinavo), embora uma pessoa maligna, não era um diabo. A deusa alemã Hel, como Proserpina, também havia conhecido dias melhores. Assim, quando aos alemães se falava na idéia de um semítico Seth, Satã ou Diabolus semita, não se lhes infundia temor algum".
[...]
...o Cristianismo do século XIX não é o Cristianismo da Idade Média, e que o Cristianismo da Idade Média não era o dos primeiros Concílios; que o Cristianismo dos primeiros Concílios não era o dos apóstolos, e que só o que foi dito por Jesus foi verdadeiramente bem dito...
[...]
Em seu insaciável desejo de estender o domínio da fé cega, os primitivos arquétipos da Teologia cristã foram forçados a ocultar, na medida do possível, as suas verdadeiras fontes. Para esse efeito, eles queimaram ou destruíram, como se afirma, todos os manuscritos originais sobre Cabala, Magia e ciências ocultas que lhes caíram nas mãos. Eles supunham, em sua ignorância, que os escritos mais perigosos dessa espécie tinham desaparecido com o último gnóstico; mas um dia eles descobrirão o seu engano. Outros documentos autênticos e igualmente importantes reaparecerão, talvez, "de maneira inesperada e quase miraculosa".
[...]
A religião que mais se assemelhou aos ensinamentos dos poucos numerosos apóstolos primitivos - religião pregada pelo próprio Jesus - [e a mais antiga de ambas, o Budismo. Este, tal como foi ensinado em sua pureza primitiva, e levado à perfeição pelo último dos Buddhas, Gautama, baseava sua ética moral em três princípios fundamentais. Ele afirmava: 1º: que todas as coisas existem como resultado de causas naturais; 2º: que a virtude acarreta a sua própria recompensa, e o vício e o pecado sua própria punição, e o 3º: que o estado do homem neste mundo é de provação.
[...]
Existe uma tradição grega que jamais foi aceita no Vaticano. Essa Igreja remonta sua origem a um dos chefes gnósticos - Basilides, talvez -, que viveu sob Trajano e Adriano, ao fim do século I e início do II. No que respeita a essa tradição particular, se o gnóstico é Basilides, então deveremos aceitá-lo como uma autoridade suficiente, pois ele pretende ter sido discípulo do Apóstolo Mateus, e pupilo de Gláucias, este um discípulo do próprio São Pedro. Se o relato que se lhe atribui é autêntico, o Comitê Londrino para a Revisão da Bíblia faria bem em acrescentar um novo capítulo aos Evangelhos de Mateus, Marcos e João, contando a história da negação de Cristo por Pedro.
A tradição de que estamos falando afirma que, quando, apavorado pela acusação do servidor do sumo-sacerdote, o apóstolo negou por três vezes o seu Mestre, e o galo cantou, Jesus, que então atravessava a galeria sob a guarda dos soldados, virou-se e, encarando a Pedro, disse: “Em verdade, Pedro, eu te digo que me negarás por todos os séculos vindouros, e jamais pararás enquanto não te tornares velho, e estenderás as mãos e um outro te cingirá e te levará para onde não queres” (João XXI, 18.). A última parte desta sentença, dizem os gregos, está relacionada com a Igreja, e profetiza a sua constante apostasia de Cristo, sob a máscara da falsa religião. Mais tarde, a passagem foi inserida no cap. XXI de João, mas todo esse capítulo foi denunciado como falsificação, antes mesmo de se ter descoberto que esse Evangelho jamais foi escrito em suma pelo Apóstolo João.
[...]
Não obstante o grandiloqüente elogio de Constantino (Socrates Scholasticus, Eccl. Hist., I, IX.), Sabino, o Bispo de Heracléia, afirma que, "exceto Constantino, o imperador, e Eusébio Panfílio, esses bispos eram um conjunto de criaturas iletradas, simples, que não compreendiam coisa alguma" (Ibid., I, VIII.) - o que equivale a dizer que eram um bando de imbecis. Essa era aparentemente a opinião de Papus, que nos conta do pouco de magia executada para saber quais eram os Evangelhos verdadeiros. No seu Synodicon desse Concílio, Papus diz [que], tendo "posto promiscuamente todos os livros apresentados à escolha do Concílio sob a mesa da comunhão de um igreja, eles [os bispos] pediram ao Senhor que os escritos inspirados fossem deixados sobre a mesa, ao passo que os espúrios ficassem sob ela - e isso realmente aconteceu" (Fabrício, Bibl. graeca, livro VI. cap. III, 34, "Synodus Nicaena"). Mas ninguém nos diz quem ficou com as chaves da câmara conciliaria durante aquela noite!


Temas Teosóficos - Simbolismo Religioso

Deuses de Luz / Deuses de Trevas

Há um pano de fundo comum às tradições mais primitivas de muitos povos da Antiguidade. Esse pano de fundo, basicamente, se assenta na idéia de que Deuses "descem" à Terra e se encarnam na humanidade --- simbolismo da Queda. Brahma, precipitado por Bhagavan, ou Júpiter por Cronos (Saturno), constituem a visão pagã antiga para o Filho que vem à Terra, partindo do Pai. No Egito havia Osíris, Ísis e Hórus, este o Filho.

Desde que vivendo na Terra --- vivendo no plano físico --- o padrão vibracional denso demarca a Queda.

A Natureza demarca nos homens e em todos os animais um desejo apaixonado, inerente e instintivo, de liberdade e livre arbítrio. Blavatsky menciona o poema de Milton (Paraíso Perdido), com a frase célebre:

"É preferível reinar no inferno
Que servir como escravos no céu!"


E arremata: É melhor ser homem - coroamento da produção terrestre e rei do seu opus operatum - que confundir-se no Céu entre as Legiões Espirituais sem vontade. Lembremo-nos que se cuida de todo um volume tratando do simbolismo das religiões (Doutrina Secreta - Vol. IV), não se pretendendo dar outro sentido senão o simbólico a tais assertivas.

Em todas as cosmogonias da antiguidade a Luz vem das Trevas. No Egito, as Trevas eram o "princípio de todas as coisas".

Não havia, nas culturas antigas, o conceito de Trevas como o que hoje chamamos de Mal. tampouco o que se dizia ser o Mal se coaduna com a idéia que esse elemento valorativo cultural desde a idade média passou a representar.

Mas o simbolismo ostentava palavras e imagens que se tornaram sugestivas para a teologia católica, que, depreciando-lhes o sentido originário, edificou toda uma cultura de terrorismo e medo.

Lê-se no I-Ching:
O Dragão voador, soberbo e rebelde, sofre agora, e é punido por seu orgulho; pensou que reinava no Céu, e só reina na Terra.

Pois é. Isso está no I-Ching. E é muito mais antigo do que os concílios católicos. Também o significado era bem diferente.

A igreja católica criou o diabo --- Lúcifer --- tomando dos cultos pagãos da antiguidade o simbolismo que descrevia a descida do Absoluto no plano das formas, ou seja, na Dualidade.

A natureza dual tem sua essência na Unidade. Mas isso não poderia ser dito --- afinal, como dizer que o pretenso "Mal" era um atributo da própria Divindade?


Ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/outras-doutrinas-espiritualistas/a-teosofia-de-blavatsky-simbolismo-das-religioes/msg161141/?topicseen#msg161141#ixzz13mqlGiV8

domingo, 24 de outubro de 2010

Ciência do Conceito Imaculado - Elizabeth C Prophet

Há um conceito ensinado por Elizabeth Clare Prophet (Summit Lighthouse) que é de grande interesse para a conquista de uma postura cosmoética saudável e que nos direciona para o equilíbrio da Serenidade.


É a ideia de CIÊNCIA DO CONCEITO IMACULADO.


Vejamos esse conceito sem preocupações terminológicas com a obra de origem. Usemos os termos a que estamos acostumados.


A condição de Espíritos humanizados, dentre vários outros aspectos, é sustentada pela vertente de energia que advém dos planos mais elevados, nos quais origina-se o fenômeno Vida Evolucionária. Reconhecer isso implica em ver no semelhante um Ser de Luz que vivencia existência nos planos mais densos, recolhido no corpo físico. Vem daí uma consequência muito relevante do ponto de vista cosmoético. Nossos semelhantes são centelhas divinas em evolução e assim devem ser vistos sempre.


Como exemplificado pela Srª. Prophet (obra "Chaves para o seu Progresso Espiritual" - edição da Summit Lighthouse do Brasil), as mães em geral praticam esse tipo de valoração cosmoética em relação aos seus filhos.


De fato, a mãe sempre vê o seu filho como um "anjo", um ser iluminado por quem devota profundo Amor. Mesmo quando usa das necessárias corrigendas que a educação responsável exige, jamais deixa de saber, e de ter certeza, de que ali está um ser de luz profundamente amado.


Eis aí a grande magia da Fraternidade.


Temos que dar um passo a mais. Um passo bem grande mas possível. Temos que ver em todo e qualquer semelhante um ser de luz que merece ser profundamente amado...


Ainda não temos estatura espiritual para amar a um estranho como a um filho; mas devemos desde logo ir nos adestrando na ampliação de nossa capacidade de amar. Iniciemo-nos com a noção de que todos os seres criados são imaculados. Todos os erros, males e atitudes danosas, criminosas, malévolas, devem ser vistas e sobre elas deve recair as consequências justas e inevitáveis; no entanto, não devemos deixar que nosso sentimento em relação ao criminoso, mesmo quando hedionda a conduta, seja de ódio ou do sedutor e envenenante desejo de vingança...


O criminoso cruel é uma centelha divina tanto quanto nossos filhos...

Difícil praticar essa postura? Não... Dificílimo!


Mas lembremo-nos de que o criminoso também é um filho profunda e igualmente amado pelo Pai Eterno de todos nós.

sábado, 16 de outubro de 2010

Confiança - Dom Magno da Alma

Um dos aspectos mais árduos da ascensão de cada consciência deste plano é manter a postura mental de serenidade ante os inevitáveis obstáculos que nossa condição evolutiva enseja. Como já dito em posts anteriores, é da Doutrina Espírita (principalmente nos livros A Gênese e O Céu e o Inferno) que o instinto de conservação engendra, durante a ascensão evolutiva na fase de humanização, uma série de arrastamentos que originam os vícios e paixões (na terminologia de Kardec).


O imenso acervo de instintos é um tesouro inestimável do ser, mas na fase de consciência contínua, com a clara noção de individualidade, o livre-arbítrio relativo do ser o põe à frente de decisões e, por extensão, nasce a valoração da conduta.


Ainda em meio às tormentas que os fluxos energéticos do corpo espiritual induz como hormônios no corpo físico, o animal passa a cogitar de si e do que o senso progressivo de valoração lhe traz. Não é fácil, pois, ao ser equilibrar-se nessa efervescência.


Não por outra razão, desde a mais profunda antiguidade (da história humana) os Mestres vêm ensinando os valores magnos da Alma, os parâmetros seguros da elevação espiritual. Fizeram-no, desde sempre, através dos Mitos. A Mitologia dos povos antigos são riquíssimas fontes de ensino simbólico em que gerações sucederam-se no aprendizado sofisticado dos Mistérios.


Um dos pontos mais preciosos do ensino atemporal que vem sendo ministrado para os homens em geral é o dom sagrado da CONFIANÇA.


Muito mais relevante do que a fé religiosa, a crença pela crença, a fé raciocinada (como dizia Kardec), ou a meditação, manter uma postura mental de confiança no todo universal é o mecanismo para a conquista da Paz e da Serenidade. Na verdade, tenho para mim que a essência da fé ou da meditação é (ou deveria ser) a confiança em Deus --- Deus, aqui, tomado na acepção do Todo Universal, ao mesmo tempo Criador e Criação --- o Logos.


A valoração da conduta traz ao homem a noção das consequências que advêm de sua tomada de decisões. O homem não tem como ascender de um salto à angelitude. Portanto, deve se ater (com absoluta sinceridade consigo mesmo) à boa-vontade, à indulgência e ao perdão (no ensinamento preciosíssimo que está em O Livro dos Espíritos - Kardec - na diamantina conceituação de "caridade"), deixando que os equívocos e desagrados do caminho fiquem à conta do custo normal da evolução --- eis aí a CONFIANÇA.


Não deixemos que o desespero, a depressão, a ira, a inveja, enfim nada que já entendemos ser contra-evolutivo nos atrapalhe a senda.


CONFIEMOS!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

12 de outubro de 2010

Em 12 de outubro comemoramoss o "Dia das Crianças". Por si só, é um dia muito especial!

Assim o digo, além dos motivos óbvios, porque somos nós Espíritos que ainda se embalam na infância da Consciência Cósmica. Há mesmo uma criança dentro de cada um de nós...

Em nosso belo idioma, nada tem mais propriedade e perfeição do que a rima "criança" e "esperança".

Basta o sorriso e o abraço de nossos pequenos e preciosíssimos filhos para que a magia irrestível do Carinho transmute, na Alquimia do Amor, todos os momentos ásperos da luta diária na certeza inquebrantável de que tudo, sempre e sempre, vale a pena!

Até mesmo os debates filosóficos, quanto mais profundos, ainda mais irrelevantes se tornam quando a Ternura invade-nos o coração ao sorriso de uma criança...

Um abraço a todos vocês, meus Amigos!

Que a Vida sempre e sempre traga a cada um de vocês as diamantinas oportunidades de ascensão à Luz!

Um beijo de Amor em cada filho, cada sobrinho, cada neto, primo, enfim, em cada criança que esteja na Vida de vocês!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O reinado de Maya

Não há sentido prático em buscar a conceituação de Deus, ou da divindade em quaisquer de seus aspectos. No entanto, parece-me um bom conceito o de que o Universo se sustenta no seio do Pensamento do Criador.Um dos aspectos da divindade é espraiar de si o princípio inteligente. O princípio inteligente conjuga-se a outra emanação da divindade: o princípio vital. O princípio vital necessita, por seu turno, da matéria para que haja Vida.

Ao mesmo tempo, o princípio inteligente precisa da Vida para se desenvolver.

Desde a sinfonia de atração e repulsão nos minerais, a Vida desenvolve-se em progressão. Eis aí o ponto mais baixo (em termos de vibração) em que o fenômeno Vida engendra o Verbo no cumprimento da Vontade do Criador. Evos se superam e o princípio inteligente, migrando em ascensão no aprimoramento de si e por Si, atinge uma fase em que a Vida se manifesta no padrão mais complexo possível nos limites do mundo da matéria (refiro-me à matéria física, ponderável; não me refiro ao plano semimaterial, etéreo, etérico, astral etc).

A partir daí (em algum ponto) dá-se a humanização. O princípio inteligente, que progrediu desde sua emanação através da conjunção do princípio vital com a matéria, adquire a noção de si mesmo, a individualidade, a consciência contínua de ser "algo" distinto de todo o resto.

Esse é o ponto em que inicia-se o "reinado de Maya".

Veja-se que só tem sentido falar-se em "ilusão" como efeito de maya no ser individualizado. Não existe, objetivamente, uma ilusão. Existe, subjetivamente, a ilusão.O princípio inteligente consciente de si enquanto ser é o que chamamos "Espírito". Simples e ignorantes, os Espíritos não são acéfalos nem autômatos. Na verdade, têm desde o início uma complexa noção: a noção do "eu". Esse "eu" é o que as doutrinas orientais (e ocidentais enraizadas no oriente) chamam de "Ego".

Adquirir a noção do "eu" é comer do fruto do conhecimento. É ser seduzido pela Serpente. É o "pecado original". É saber-se nu e ter vergonha --- início do senso subjetivo/objetivo de valoração. Inicia-se a dualidade: bom/mau, bem/mal, certo/errado, feio/bonito etc etc etc...

Os Espíritos nascem simples e ignorantes. Sim, são Espíritos infantis. São Espíritos iniciando seu aprimoramento enquanto ser. Nada é mais infantil e decorrente da noção de si do que o "desejar" e, por extensão, o conceito de "meu". Assim, a ilusão de que devemos nos desvencilhar é o desapego integral de tudo o que podemos agora identificar como sendo meramente fruto do personalismo natural e saudável do ser infantil. É procurar as coisas do Reino de Deus. Vejam que o ensinamento, por ter sido dado a Espíritos ainda infantis, conquanto um pouquinho menos verdes, remete logo à promessa de recompensa: e tudo o mais virá por acréscimo.O Pai bem conhece nossas necessidades... Realmente, quem não sabe o que é bom para seu filho ainda pequenino? Quantas broncas não damos em nossos pupilos para acertar-lhes o comportamento, equilibrando o rigor do ensinamento com o carinho e os mimos que alegremente concedemos aqui e acolá?

A ilusão é o sonho de criança que existe em cada um de nós. Somos, quando muito, pré-adolescentes (eu diria, muito rebeldes) que se apegam sobremaneira nos desejos infantis, com medo de perder o prazer imenso e incompreensível que os desejos propiciam... Nós podemos compreender o que é a "ilusão" da mesma forma que o pré-adolescente, no recesso de seus mais íntimos pensamentos, sabe que não poderá manter todos os prazeres personalíssimos que a infância, deliciosamente, permite...

Isso se coaduna com o fato de existirem os mundos de regeneração, nos quais há bem menos ilusões, mas ainda não desapareceu o personalismo de quem foca sua mente mais no próprio umbigo do que no semelhante...

domingo, 26 de setembro de 2010

Umbral - Astral inferior - Visão Espírita

[...]Aquela perturbação apresenta circunstâncias especiais, de acordo com os caracteres
dos indivíduos e, principalmente, com o gênero de morte. Nos casos de morte violenta, por suicídio, suplício, acidente, apoplexia, ferimentos, etc., o Espírito fica surpreendido, espantado e não acredita estar morto. Obstinadamente sustenta que não o está. No entanto, vê o seu próprio corpo, reconhece que esse corpo é seu, mas não compreende que se ache separado dele. Acerca-se das pessoas a quem estima, fala-lhes e não percebe por que elas não o ouvem. Semelhante ilusão se prolonga até ao completo desprendimento do perispírito. Só então o Espírito se reconhece como tal e compreende que não pertence mais ao número dos vivos. Este fenômeno se explica facilmente. Surpreendido de improviso pela morte, o Espírito fica atordoado com a brusca mudança que nele se operou; considera ainda a morte como sinônimo de destruição, de aniquilamento. Ora, porque pensa, vê, ouve, tem a sensação de não estar morto. Mais lhe aumenta a ilusão o fato de se ver com um corpo semelhante, na forma, ao precedente, mas cuja natureza etérea ainda não teve tempo de estudar. Julga-o sólido e compacto como o primeiro e, quando se lhe chama a atenção para esse ponto, admira-se de não poder palpá-lo.
Esse fenômeno é análogo ao que ocorre com alguns sonâmbulos inexperientes, que não crêem dormir. É que têm sono por sinônimo de suspensão das faculdades. Ora, como pensam livremente e vêem, julgam naturalmente que não dormem. Certos Espíritos revelam essa particularidade, se bem que a morte não lhes tenha sobrevindo inopinadamente.
Todavia, sempre mais generalizada se apresenta entre os que, embora doentes, não pensavam em morrer.
[...]
(LE - págs. 118/119)


O Umbral é o meio em que, por sintonia, os Espíritos erram (situam-se) por tempo variável, consoante sua condição individual de apequenada compreensão da realidade da Vida Espiritual. O retorno ao mundo extrafísico, desde que o Espírito pouco ou quase nada compreenda de seu reingresso na Vida Real, leva à ambientação de seu existir nos exatos termos de seu mundo interior, de sua mente. Há, assim, no Umbral tantos "lugares" quanto variados sejam os padrões coletivos de Espíritos em sintonia. Pântanos, covas, cavernas, vales, cidades, mosteiros, etc etc etc. Cada um sintonizará com o seu "próprio" inferno ou purgatório...