quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Princípio Inteligente - Evolução

São inúmeras as referências em vários sites acerca da incompatibilidade entre o que a Doutrina Espírita expõe e a Evolução. Mas não há incompatibilidade alguma:

  • O PI progride e, desde que atinja determinado nível de conquistas, passa pela humanização.
  • O PI é, como o nome diz, um Princípio.
  • O Princípio engendra diversas formas de vida, ambientando-se em miríades de manifestações.
  • Não existe o PI humano, o que seria uma impropriedade em todos os sentidos. Um Princípio é um Princípio, não tem individualidade. 
  • Mas a forma de vida engendrada tem que progredir para que possa sofrer o influxo, cada vez mais abrangente, do mesmíssimo Princípio Inteligente.
  • Assim, como o homem não surgiu num piscar de olhos, só mesmo entendendo que a forma de vida que vinha progredindo anteriormente pôde atingir a individualidade plena e consciência de si mesmo.
  • Não há como entender que a forma de vida atinge a possibilidade de humanizar-se senão tendo avançado até os preâmbulos dessa fase --- daí existirem os antropóides.
  • Ocorre que a forma de vida que chamamos de antropóide, embalada pelo mesmo Princípio Inteligente, só chegou ao preâmbulo da humanização porque adveio de uma forma de vida menos avançada mas suficiente a um influxo mais complexo do PI, suficiente a ponto de tornar-se antropóide.

Bem, se continuarmos essa via reversa, do homem ao antropóide, do antropóide ao seu antecessor, e assim por diante, não vejo como imaginar que não há uma forma de vida fundamental.
PI é Princípio Inteligente

Um princípio emanado do Criador é uma potência, um potencial, um vir-a-ser impulsionado pela Vontade, pelo Pensamento que sustenta em seu seio o Universo. O que progride é o ser que, engendrado na matéria, ganha progressivamente mais e mais condições de sofrer o influxo do Princípio Inteligente.Um bonobo não tem "um PI" que se reencarna em seu progresso. O que reencarna é aquilo que os Espíritos afirmaram ser "por assim dizer" algo como uma alma. Os seres progridem forjando estruturas progressivamente mais complexas para a manifestação do PI, estruturas que passam a sofrer influxo cada vez mais intenso. O PI continua ampliando o desenvolvimento do próprio homem, mesmo após a conquista da consciência contínua e livre arbítrio, após a humanização.Afinal, é um Princípio Inteligente --- ou seja, o potencial emanado do Criador para a realização de sua Obra através dos seres.

sábado, 5 de novembro de 2011

Predadores Selvagens e sua inteligência


Alguns aspectos da vida dos animais fazem-nos pensar na surpreendente estatura que a inteligência atinge mesmo nos predadores selvagens. Ainda há a noção equivocada, na maioria das pessoas, de que os grandes predadores são massas musculares de força bruta. É do imaginário de muitos que leões e leopardos, por exemplo, sejam verdadeiros rolos compressores que caçam suas presas com facilidade e as devoram sem quaisquer preocupações.

Por outro lado, é comum também a ideia de que as presas, digamos, os antílopes, não passam de herbívoros toscos que se limitam a uma fuga instintiva e desesperada.

No entanto, a ciência hoje já observou o aprendizado que os guepardos realizam ao se aproximar de um grupo de antílopes. Chegam a ficar uma hora na espreita, lentamente se movendo. Usam do vento para evitar que seu cheiro os denuncie, mantendo-se cautelosamente em posição adequada. Quando elegem a presa que inicialmente atacarão, partem na dinâmica de um organismo sofisticadamente projetado para a máxima aceleração e velocidade. A cabeça, menor e mais aerodinâmica do que a de outros felinos, une-se à coluna através de ligamentos extremamente flexíveis. Observar um guepardo no auge de sua velocidade é fascinante. O corpo se estende em movimentos extremos enquanto a cabeça permanece incrivelmente nivelada a fim de manter os olhos aptos à visão plena da presa. O grupo de antílopes se dispersa na fuga, pelo que o guepardo, em frações de segundo, verifica os obstáculos que existem entre esse ou aquele espécime, cuidando de adotar o que esteja com campo mais livre e, ao mesmo tempo, dentro do limite de aproximadamente 30 segundos de sua explosão muscular. Mais importante do que a duração da explosão muscular, a temperatura do guepardo em muito aumenta após algum tempo de corrida, sendo fatal para o cérebro caso seja irrigado com sangue acima de 39 graus centígrados.

Por sua vez o antílope, longe de simplesmente partir em corrida cega, adota saltos de até 3 metros de altura como meio de fugir ao campo vertical da visão do guepardo. Quando percebe o felino muito próximo, usa de extrema agilidade para ziguezaguear e saltar. O guepardo necessita de vários ataques para conseguir pegar uma presa. 

E não termina aí. Como tem a estrutura física aprimorada para a velocidade, não tem garras nem cabeça que permitam estraçalhar a presa. Toma a presa pelo pescoço e a estrangula com a boca. Segura-a por até 10 minutos, enquanto respira ofegantemente para baixar o ritmo cardíaco. Cerca de metade das presas assim caçadas terminam sendo perdidas para predadores maiores. É que leões costumam ficar observando o trabalho dos guepardos e, após a presa ter sido interceptada, apresentam suas garras e dentes enormes para afugentar o guepardo.

O antílope, que não consegue correr à mesma velocidade que o guepardo, além de sua extrema agilidade em saltar e mudar de trajetória, conta com um órgão muito interessante, que não existe em seu predador. É uma vasta derivação da artéria que irriga o seu cérebro exatamente na cavidade nasal. A respiração ofegante do animal, durante a fuga, resfria o sangue que sobe até o cérebro, pelo que pode manter-se em plena corrida por mais tempo que o guepardo.

Enfim, temos aí pequenos exemplos da extrema capacidade desses seres elegerem sua conduta conforme o meio exige. Além disso, fica bastante evidente que a evolução das espécies obedece planos muito bem traçados e sofisticados de aprimoramento em cada nicho ecológico.

Mesmo assim há espiritualistas que hesitam em ver nos animais seres de mesma origem que nós, humanos, apenas mais recentes em sua jornada pela Obra.


domingo, 30 de outubro de 2011

Agonia do Egoísmo


A restrição física na matéria importa no ápice da individualidade que o ser pode experimentar. Curiosamente, acompanhando esse ponto máxime de individualidade, a liberdade de determinação, o livre-arbítrio, tem aí, também, o seu auge. É o império do Ego sobre o Eu Superior.

Fase decorrente do ingresso do ser na condição humana, o encontro da humanização com a individualização no plano da matéria densa importa, na grande maioria dos casos, no esquecimento pleno da origem e assunção da identidade experimentada como absoluta.

O exercício da consciência contínua sob os parâmetros de máxima individualidade, por iniciar-se juntamente com o aprendizado intelectual e moral do ser, faz com que um inevitável imediatismo nasça no senso perceptivo, limitando ainda mais o universo de cogitações e compreensão de cada sensiente.

Por isso o ser humano se vê envolto no imenso enredamento de instintos conquitados desde a fase animal enquanto percebe o meio sob a ótica da individualidade e liberdade absolutas, assim aprendendo e aperfeiçoando-se na dimensão do retorno, determinado pelos impulsos inatos da Natureza, aos planos menos densos e sob crescente senso coletivo com a diminuição proporcional da liberdade e individualidade.

Os conflitos são óbvios e compõem o próprio aprendizado.

Um fator muito fácil de perceber como efeito concreto e comum no dia-a-dia das pessoas em geral é a visceral defesa, pela maioria, de sua liberdade de auto-determinação e identificação enquanto ser único, individualidade que não se cogita um dia acabar.

Com raras exceções, todos defendem sua liberdade de pensar e agir, tanto quanto defendem-se enquanto indivíduos titulares de direitos perante os demais. De qualquer modo, tanto quanto a ilusão de privacidade de um pensamento, a liberdade plena de cada indivíduo é uma ilusão da qual as pessoas hesitam superlativamente em despertar. O ser humano se acha em um estágio evolutivo muito árduo no que diz respeito à experiência enquanto consciência lúcida. Como ápice de um longo processo de Evolução, conquistou enorme automatismo instintivo e, "mal" atingida a consciência contínua, se vê diante do desafio de progredir no sentido contrário ao da individualização.

O homem comeu do fruto do saber e foi expulso do paraíso. Lúcifer --- portador de Luz --- é o conhecimento adquirido.

Nesse contexto, o que de mal pode advir ao homem a partir desse momento não é o arrastamente de algum ser maligno às chamas de um pretenso inferno subterrâneo. É a resistência aos impulsos de elevação e transcendência à individualide que costuma causar efeitos desagradáveis, danosos e até tormentosos.

Quanto mais o ser se agarra à sua individualidade e plena liberdade de deliberação, mais e mais se cansa por resistência aos impulsos de ascensão, de reencontro com sua essência espiritual. A Evolução exerce sua pressão através do meio para que cada indivíduo retome o fluxo de experimentação mais sutil, menos material, em todos os fenômenos de sua vida mental.

Caim matou Abel... Teve que retirar tudo de que necessita do seu meio. Aprendeu a lavrar a terra. Ficou orgulhoso de si e, por isso, sol a sol, verteu o suor da luta diária até que, depois de longa experiência, reina na Terra pronto para voltar ao Pai.

A regra geral hoje vigente é daquele contínuo senso de insatisfação, seja qual for a situação diante da vida terra a terra. Quem se mantém na defesa de sua individualidade atinge a maturidade sôfrego pela solidão. Os que cultivam-se como Caim até hoje apartam-se do fluxo de ascensão que o Universo firmemente estabelece e, assim, desertam dos efeitos desse fluxo --- por isso sentem-se abandonados e "sem sorte".

É a agonia do egoísmo.



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Oitava Esfera

Interessante considerar que a Cadeia Planetária não aponta a existência de uma oitava esfera que, no entanto, é referenciada nos textos da tradição esotérica. Essa oitava esfera é decorrente de grupos na evolução a cada fase. Os seres individualizados exercem o seu livre arbítrio e, com isso, surgem os que não aquiescem à ordem geral com que a Vida faz fluir a Evolução. Antes de atingir o ponto mais baixo da materialidade o ser já se dota de ampla capacidade mental, pelo que habilitam-se alguns à "revolta" que caracteriza o "Anjo Caído".

Dos que se "rebelam", grupos inteiros demoram-se em meio a escolhas feitas tão somente pelo império dos sentidos, aguçados e inexcedivelmente intensos em razão de sua ambientação na densidade da matéria física. O instinto continua dirigindo o comportamento pela busca do prazer intenso que resulta da conversão das vibrações animais em fluxos bioquímicos. Vícios e paixões se estabelecem oriundos do instinto de conservação e um arrastamento às sensações se torna a primeira grande e tormentosa provação do ser.

Nasce o "mal" em contraposição ao "bem". A consciência do abuso torna o ser responsável a cada vez que se dá conta do caráter ilícito de seu comportamento. Enquanto a maior parte segue e progressivamente se reequilibra, alguns perdem-se e passam a destoar. São esse que passam a habitar a oitava esfera, não por outra razão denominada "Perdição".