quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Identidade de Gênero

A questão da, assim chamada, identidade de gênero (ou, consoante terminologia psicológica, Transtorno de Identidade de Gênero) vem sendo objeto de ampla considerações em vários setores da sociedade. Concernente a aspectos personalíssimos, desdobra-se em acalorados debates. As abordagens da ciência ortodoxa têm sido bem abstratas, não se atendo a considerações de cunho ético conquanto, como em tudo o mais, não se possa conceber valorações desse jaez sem o concurso dos elementos valorativos culturais, momento a momento, no concerto da evolução que experimenta o ente coletivo.

A Psicologia afirma que o indivíduo não se restringe ao seu corpo físico, podendo ter de si uma identificação que dele destoa quanto ao gênero. Sem qualquer pretensão quanto ao conteúdo científico dessa asserção, cabe ponderar aspectos que tocam ao comum das pessoas, consoante a experiência do dia-a-dia e seu matiz essencialmente cultural conforme o momento atual.

A identificação que uma pessoa tenha com gênero sexual diferente de seu próprio fenótipo é um fenômeno que, no mínimo, não é o mais comum. Mesmo evitando tecer valorações éticas, impossível deixar de meditar acerca do caráter “normal” ou não de uma identificação assim. Na transexualidade, diz-se, o indivíduo é, por exemplo, uma mulher no corpo de um homem. Imagina-se que seja algo torturante. Se não, ao menos inconveniente em muitos momentos.

Até onde é lícito considerar normal uma identificação psicológica distinta da fisiológica? Claro que ninguém cogita de imputar-se um “demérito” pela existência de tal divergência entre o físico e o anímico. Mas é, de fato, consistente considerar que é perfeitamente normal uma pessoa ter uma estrutura psicológica diferente de sua base fisiológica?

Quando uma pessoa se vê obesa diante do espelho mas, objetivamente, é possível constatar que se trata de alguém até mesmo abaixo do peso, segundo seu índice de massa corpórea, como se denomina isso? Dismorfia Corporal, ou Transtorno Dismórfico Corporal.

O fato do fenômeno ter um nome não conduz a nenhuma solução. Não obstante, deixa claro que é um fenômeno catalogado, sem dúvida, na mesma pasta de outros transtornos psicológicos. No caso da dismorfia corporal, inclusive, a psicoterapia é o tratamento indicado.

Então, temos um transtorno em que o indivíduo tem uma falsa percepção de si mesmo, no mais das vezes, quanto ao peso. Por que essa percepção desvencilhada da realidade objetiva é um transtorno? Creio que a melhor resposta seja: exatamente porque está desvencilhada da realidade objetiva.

No caso do gênero tudo deve ser considerado sob outro talante? Por que? Enfim, busquemos outras comparações até com transtornos menos drásticos.

Raramente no convívio de um grupo, seja na escola ou no trabalho, deixará de ter alguém que esteja sempre em busca de atenção, tendente às dramatizações, sob um afetado clima de forçada intimidade. Quando tais características se tornam constantes na conduta dessa pessoa, diz-se que ela tem Transtorno de Personalidade Histriônica. Ora, aqui a falsa percepção da realidade objetiva é bem menos intensa do que, como já vimos, no caso do Transtorno Dismórfico Corporal. Mesmo assim, por ser uma percepção errônea, constitui igualmente um transtorno de personalidade.

O que se pretende abordar é que a percepção errônea acerca da realidade objetiva é o fator determinante do transtorno da personalidade. Como transtorno, merece abordagem enquanto situação anômala, sem nenhum demérito de ordem moral tampouco qualquer pretensão a uma formulação preconceituosa de menosprezo.

O que não parece correto é, exatamente, tentar dar ares de “odiosa intolerância” à postura de quem considera que um transtorno da personalidade seja algo que reclama tratamento.

A sociedade vem assistindo a um aumento desmedido na construção do conceito de que o sujeito que tem Transtorno de Identidade de Gênero deve ser mantido “à salvo” de quaisquer opiniões sobre o simples fato de ele ter um transtorno da personalidade. 

Tanto menos aceitável é a tese que vem se desenhando em vários setores da sociedade no sentido de que deve ser deixado a uma criança livremente “escolher” se vai ou não assumir a identidade de gênero que lhe advém do próprio corpo físico.

As pessoas que se vitimam por quaisquer transtornos da personalidade não optaram por ser, digamos, histriônicas, paranoicas, dismórficas, tampouco por divergirem do gênero de seu fenótipo. Vale repisar, são pessoas que sofrem de transtorno de personalidade. Não é uma mera questão de “preferir” isso ou aquilo.

Um adulto, senhor de si, que sofra de Transtorno de Identidade de Gênero e não deseje buscar tratamento, que assim delibere sobre sua própria vida. Mas daí não se conclui que uma criança possa ser deixada ao sabor de um transtorno de personalidade como se fosse a mera expressão de sua vontade consciente.

Se uma hipotética criança magra chora e se desespera por se ver ao espelho como excessivamente gorda, não há mínima razoabilidade em interpretar-se que ela está optando por ser gorda. Se a criança demonstra grande carência afetiva, não é possível imaginar-se que ela está livremente optando pelo cultivo de uma exacerbada sensibilidade gótica. 

Uma criança do sexo masculino que demonstre estar na assunção de comportamento feminino, independentemente de quaisquer valorações éticas, deve ser levada à consideração de um profissional habilitado a analisar se é vítima de Transtorno de Identidade de Gênero. E não deve ser outra a atitude desse profissional senão esclarecer os responsáveis pelo tratamento adequado.

Em complementação (afinal, este é um Blog de estudos esotéricos...), adiante transcrevo trecho relevante do grande médico espírita Jorge Andrea (Forças Sexuais da Alma, pág. 76):


  • Na abordagem dessas três faixas (intersexualismo, transexualismo e homossexualismo) devemos compreender que o patológico, o doentio, está bem perto do hígido, do normal. Certas posições de transição reencarnatória, pela mudança de polarização sexual, mostram faixas com limites imprecisos e, outras vezes, tão gritantes, denotando um quadro patológico. Por que isso? Que se passa com a Grande Lei evolutiva? Que está acontecendo com as forças sexuais da alma? A Doutrina Espírita tem uma plausível explicação para tudo isso: é a posição em que nos encontramos no Planeta, onde o componente de expiação ainda é mais bem avantajado do que o regenerativo. Os componentes cármicos, atritados pela vida pregressa, exigem compensação. Devemos considerar que muitos dos indivíduos enquadrados nesses capítulos, ao seu próprio modo carregam posições difíceis, acompanhadas, comumente, de desentendimentos. Só a construção no bem, o desenvolvimento de trabalho e tarefas positivas constantes poderão neutralizar o carma (carga negativa pregressa), cuja luta lhe foi oferecida pela Grande Lei porque há possibilidades de vitória. O amanhã será grandemente expressivo para os que tiveram vontade e souberam lutar por uma efetiva posição espiritual. A blandícia de uma nova aurora apresenta-se sempre com os matizes das semeaduras individuais no bem.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

RELIGIOSIDADE e ESOTERISMO

A queda da religiosidade entre os indivíduos ao menos medianamente instruídos tem sido observada em todas as culturas. É cada vez mais comum que a composição dos profitentes dessa ou daquela fé tenha preponderância de pessoas de crítica menos apurada, com menor cabedal de conhecimentos, ainda que não se tenha aqui uma regra absoluta.

Mas não se trata de elitismo. Simplesmente não se aventa da aceitação de preceitos religiosos por quem neles vê alguns ou muitos conceitos que atentem contra seus conhecimentos.

Não por outra razão há quem defenda a necessidade de manutenção do ensino dos Mistérios Menores aos que deles possa conhecer. Os Mistérios Maiores desde sempre ficaram e ficarão restritos a uns poucos.

Paralelamente ao descrédito dos conceitos religiosos apenas superficialmente considerados, cresceu também um autêntico preconceito contra as doutrinas iniciáticas, não importa a origem. Ou são consideradas corporações de pessoas mal intencionadas, ou são tidas à conta de agrupamentos de pervertidos, interessados em cultos satânicos ou sexualmente degenerados. Isso quando não são considerados grupos de incautos, ingênuos, ou esquizofrênicos paranoides.

Algumas correntes menos aprofundadas contribuíram para essa visão distorcida, é bom reconhecer.

Pululam indivíduos desejosos de pertencer a algum tipo de grupo especial, sob rituais que lhe pareçam interessantes, até mesmo por uma indumentária exótica. Há os que se reúnem em florestas com caldeirões de ferro a fim de invocar espíritos da natureza e cozinhar elixires e outras beberagens. Se um dia tal procedimento esteve sob o conhecimento dos Mistérios que envolvem toda e qualquer busca espiritual, certamente não será reproduzindo uma mera e epidérmica encenação que as pessoas alcançarão o conhecimento esotérico que jaz sob determinados rituais bem menos cinematográficos.

Ainda outros pretendem, mesmo, estreitar vivência com a senda esquerda, desejosos de um poder que imaginam ilimitado por concessão de algum demônio serviçal. Grande perigo reside nisso, não por exposição a uma pretensa horda de monstros infernais, mas por sintonia e mútua simbiose com tantos quantos, pensando na mesma frequência, já não estão no plano físico. Tornam-se cegos guiando cegos, obsessores mutuamente imantados, com todos os prejuízos que advêm de tal desatino.

Bem por inconsequentes atitudes como essas, muitos mesmo hoje em dia, ecoando com postura antiga sob fundamento diverso, defendem que não se deve propiciar o estudo dos Mistérios a fim de evitar tais ou quais desatinos, mantendo as pessoas longe de assuntos que as exporiam a consequências ruins. Mas isso significa privar de luz quem tem bons olhos para vê-la. E pior. Como já mencionado, isso faz com que os preceitos religiosos fiquem tão superficiais para os que têm olhos de ver que o descrédito recai sobre a religião em si, tornando-a decadente.

O que dá sustentação a uma doutrina religiosa é a autoridade do conhecimento. A fé, a devoção, o transcendente, sem dúvida, compõem a religiosidade. Mas é a autoridade do conhecimento que faz com que aquela doutrina mantenha a sua finalidade universalista, mantendo sua esfera de atuação em todos os estamentos da sociedade. 

Se para muitos a expressão de ensinos imperativos basta e é o quanto assimilável, para não poucos somente a compreensão externada em aspectos mais ricos é indispensável. Mesmo nos meandros mais profundos, ainda outros tantos mantêm-se firmes em suas convicções por saberem presentes em sua fé aqueles em quem reconhece erudição. Esse último ponto é de extremo relevo. Conquanto não pareça, num primeiro momento, tão importante, na verdade é um traço característico de uma religião que se pretenda viçosa e perene a pirâmide de profitentes com os estamentos superiores, mais aculturados, que ostentam diante de todos a sua convicção na doutrina esposada.

Assim se estabelece aquela magia interessante. Mesmo os que não compreendem integralmente o que tais eruditos alcançam, sabem de sua legitimidade, sua confiabilidade, pelo que sentem-se seguros. Esses são os intermediários. Dotados o suficiente para o crédito de ensinos maiores mas ainda noviços na compreensão mais aprofundada. Fazem um vínculo salutar entre os mais simples e os eruditos. Mantêm todo o sistema equilibrado e em crescimento. No dinamismo do aperfeiçoamento de cada um, segue estamentos acima quem lavra para si maior esclarecimento, por estudo e meditação.

Quando se quebra esse grupo intermediário por ausência dos eruditos e os que ministram os ensinos mais elaborados, a base da pirâmide aumenta e termina desequilibrando o sistema. Há uma hipertrofia. 

Mas não é só.

O avanço de setores técnicos na vida humana trouxe um fenômeno curioso. Mesmo não se tendo aprimorado a oferta de efetiva formação às pessoas em geral, a quantidade de informações vem ficando cada vez maior.

Quando uma coletividade progressivamente maior tem acesso a informação desacompanhada da necessária formação, o nível de pseudoconhecimento aumenta, aumentam as dúvidas, e tudo parece uma autêntica miscelânea em que nada se alinhava a nada.

Então, mesmo dentre os mais simples, já que buscam informações na via facilitada da informatização, dedilhando palavras incompreendidas no “Google”, dúvidas terminam se acumulando. Como as informações facilitadas e abundantes não têm necessariamente o crivo da qualidade, cria-se uma imensa Torre de Babel dos tempos atuais.

Para cada fonte de informações de boa qualidade existente na rede mundial de computadores, receio haver centenas de águas turvas, sem contar os que simplesmente se regozijam por desacreditar, só por jocosidade, tudo o que diga respeito ao Esoterismo.

Não são poucos os sítios eletrônicos que oferecem “serviços” como oráculos. Criaram-se miríades de programas de computador para fazer “consultas” de runas, i-ching, astrologia e coisas que tais, remetendo estudos que deveriam ser sérios a uma parafernália que só faz desacreditar todas as obras que nos trazem os ensinos mais recuados.

Isso faz lembrar. Desde que um Pontífice apontou o Baphomet como a figura do próprio “Diabo”, queimando Jacques de Molay para (tentar) tomar o outro dos Templários, que o pobre bode vem, até hoje, sofrendo bullying como figura demoníaca.

Tanto pior quando a doutrina religiosa se ressente dos efeitos danosos de uma orientação firme de sua cúpula no sentido de priorizar uma simplicidade singelamente tida como virtude para todos, sejam iletrados, sejam eruditos. Isso acontece principalmente nas religiões cristãs hoje em dia.

Deixando de lado a poesia, considerar que a simplicidade deve marcar o ensino para todos, em quaisquer condições, é relegar os buscadores sinceros à renúncia daquela religião e sua doutrina.

No catolicismo em particular, a existência de todo um Sacerdócio estruturado e hierarquizado deveria pressupor a exposição dos Mistérios como nos tempos primevos em que Paulo orientou Timóteo e com ele depositou o dever da tradição.

Não preciso mencionar aqui as conveniências da junção dos interesses de Constantino com um Clero sedento de poder na elaboração do Concílio de Nicéia.

Para quem tenha interesse em conhecer melhor esse importantíssimo aspecto do mundo atual, recomendo uma obra escrita no início do século XX (1902) por Anie Besant: Cristianismo Esotérico.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Reencarnação - compreensão do conceito

Permanecem inúmeras polêmicas acerca da reencarnação em debates travados por aqueles que nela creem e os que a repudiam. Talvez a base dessa divergência, que faz pessoas debruçarem-se sobre textos e textos anotando indícios favoráveis e contras, seja a noção vulgar que se espalhou do fenômeno da palingenia.

Mesmo sem (sequer) tentar esboçar maiores cogitações de cunho místico, nem adotar essa ou aquela corrente espiritualista como "dona" da verdade, é possível ao menos ter em consideração que a reencarnação NÃO significa que a mesma personalidade, a mesma pessoa, o mesmo ego, se manterá em renovadas experiências no plano físico.

Pensemos no homem durante uma única jornada de vida intrafísica. Tomemos, de empréstimo, os ciclos setenários. Uma pessoa aos 7, 14, 21, 28, 35, 42, 49, 56 anos de idade, por exemplo, certamente não pode ser considerada como detentora da mesma personalidade. Acho que ninguém discordará disso. E estamos falando de uma só vida física. O garoto de 14 anos em nada se parecerá, física e emocionalmente, com ele mesmo aos 56 anos de idade.

Temos uma sequência de "reencarnações" (notem as aspas!) no transcorrer de uma mesma vida. Nascemos aptos a absorver ensinos e, com o passar das experiências vividas, vamos edificando nosso arcabouço de traços de personalidade.

Quando o Espírito deixa o plano da matéria pesada por morte do corpo físico, voltando à condição de consciência extrafísica (sua condição originária, diga-se), não será exatamente a mesma pessoa. Conforme suas características individuais, terá maior ou menos expansão de sua consciência, retomando bagagem anterior. Verá a si mesmo, inclusive, com maior clareza --- salvo se tratar-se de consciência submetida a um período, menos ou mais longo conforme o caso, de confusão ou apego a conceitos da vida física que levava, já não mais adequados à sua nova realidade.

Seja como for, demorando mais ou menos, após a morte do corpo físico a consciência terminará agregando em si aprendizados anteriores, experiência anterior, valorações cosmoéticas de maior nitidez.

Já se comparou a sequência de reencarnações a uma roda que gira sem parar até que o ser não mais precise de experimentar vidas físicas. Outros comparam às contas de um grande colar, ligadas por um fio que mantém a bagagem anterior.

De minha parte, acho mais interessante pensar que o Princípio Inteligente adquire sua plena individualização no plano físico. A centelha de vida desce até sua individualização máxima no plano da matéria densa e, depois de conquistar aprendizado suficiente, retoma a ascensão aos planos mais sutis, levando consigo todo o acervo que passará a usar na conquista da expansão de sua consciência.

Tudo isso apenas para dizer que, realmente, de fato, quando textos bíblicos dizem que o homem não nascerá de novo, que o homem tem só uma vida, é verdade.

O homem é a expressão de uma consciência plenamente individualizada e ambientada no plano físico. Cada vida cuida de aprimorar a consciência através da experiência como um homem, aquele homem que vive aquela vida. Esse homem não nascerá de novo, mas sim a consciência que, através dele, verteu para si experiências e aprendizado. 

domingo, 20 de dezembro de 2015

RELEITURA DE UMA ANTIGA PARÁBOLA


Já notou como tantas pessoas têm uma vida calma, sem sustos, em paz?


Seriam almas dotadas de maior pendor espiritual, dignas de tranquilidade em seu dia a dia? 

Creio que dessas há por aí na Vida, ocultas em obras de realização impensáveis para a maioria. No entanto, tomando a atual desventura dessa época em que joio e trigo misturam-se na forja dos tempos chegados, muito mais existem os que embalam-se na monotonia de um viver por viver, sem esforço mas sem espinheiros.

Assim vivem tantos que, recolhidos na aparente paz de um viver inócuo, são poupados pelo Anjo da Dor exatamente para que não precisem exibir sua fraqueza e cair em prantos, de joelho, orando pela ajuda do Criador.

A Sombra bem lhes conhece tal fraqueza, mantendo-os em frígida tranquilidade a fim de não volverem seus olhos para a Luz.

Mas os operosos buscadores que anseiam por elevação! Ah! Os filhos de Caim, herdeiros da terra ao preço do suor, sol a sol, do cultivo árduo por suas vidas! Esses, tanto mais lutam quanto mais a Sombra lhes atormenta a lide diuturna!

Sob o sol que os queima a tez, acostumam-se a fixar a Luz. Desagradam os demônios por manterem a fronte altiva, arrostando com coragem a batalha de ascensão. Bem por isso, são chicoteados minuto a minuto, sob o olhar confiante dos Anjos que lhes doam força interior e convicção.

Se o marasmo agradável de tardes mornas adornam o seu viver, acautele-se!

Se o mar sempre e sempre lhe tenta roubar o leme, afirme-se ao timão e siga adiante!

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Subjetivismo Exacerbado

Há um excessivo apego à subjetividade nos tempos atuais. Isso se manifesta desde a assunção de concepções particulares acerca de tudo, mesmo à ilharga de maiores considerações sobre a autoridade dessa ou daquela opinião, até à tese, algo mirabolante, de que tudo o que existe compõe a percepção intrínseca de cada um. E assim o ser humano progride no exercício de sua liberdade de pensar, exacerbada, vendo-se pessoas deitadas sobre o orgulho ter uma convicção pessoal sobre quaisquer assuntos, até mesmo aqueles amplamente ignorados. Na seara filosófica, e também mística, muitos são os que invocam conceitos mal compreendidos para assentar uma visão simplista de que só existe o que há em minha percepção.

Nesse contexto, coisas como postulados de física quântica são mencionados, em vôo rápido, para dar pretenso fundamento à noção deformada de que só existe a consciência. Ainda outro dia, num filme sem nenhuma pretensão, em cuja cena embalava-se um personagem nitidamente insano, as crianças correndo numa praia estancavam imóveis sempre que ele mudava a atenção para outros pensamentos.

Há quem creia que seja assim mesmo.

Mas, nessa mesma praia, permito-me cogitar, se alguém resolve revolver a areia em busca de conchas poderá encontrar, digamos, um anel. Alguém perdeu o anel que, sob efeito dos remansos, afundou na areia e ali permaneceu. Quem o perdeu nem imagina --- por óbvio! --- onde está; quem o acha, por igual, toca-se de absoluta surpresa.

Um cidadão apressado desembarca em um movimentado aeroporto. Sob reforma, o local se ressente das indicações necessárias para o bom fluxo dos pedestres. O sujeito, com olhos fixos no celular, buscando no Google Maps seu destino, dá com a testa na imensa porta de vidro ainda sem a conveniente faixa amarela que a denunciaria a todos.

Dois exemplos simplórios, porém eficazes, na indicação de que nem tudo o que efetivamente existe e pode conosco interagir deve estar previamente em nossa consciência.

Se alguém coloca veneno no vidro de remédio de incauto paciente, certamente alcançará o efeito mortal mesmo com a absoluta e plena convicção da vítima sobre a eficácia curativa do medicamento.

Leandro Karnal, com sua verve inexcedível em brilhante exposição, menciona que hodiernamente os jovens, quando muito, lêem um ou dois parágrafos de Kant, para logo em seguida anunciar não concordo com isso! Eis aí, também, um aspecto do excessivo subjetivismo que hoje viceja.

A metamorfose ambulante de Raul Seixas impregnou, com sua sedutora filosofia autossuficiente, o pensamento de muitos. A mesma exponenciada rapidez com que tudo é analisado e valorado hoje em dia tem feito com que conceitos complexos do esoterismo sejam aviltados em exposições primárias, simplificando-se ideário abrangente em definições paupérrimas.

Isso já vinha ocorrendo em grande escala com o Espiritismo.

A noção que a maioria tem de causa e efeito no contexto da Doutrina Espírita, com raízes no conceito de karma dos orientais, parece sempre levar a uma tabuada absurda em que ficam tabelados efeitos para os crimes cometidos. Se fulano matou-se com um tiro na cabeça, renascerá com problemas mentais. Se beltrano matava com estocadas no coração, renascerá com problemas cardíacos. E assim por diante. Não são poucos os que pensam assim, pondo o Universo sob um fatalismo essencialmente vingativo, numa relação de crime e castigo em que a consciência --- eis aqui um paradoxo para quem tudo credita à consciência --- nada tem de relevante.


Esse subjetivismo simplista que esculpe noções aberrantes sobre temas complexos vem reduzindo a capacidade de análise a um lanche Macdonald, pego em drive-thru, devorado sem nenhuma – sequer – curiosidade sobre seu conteúdo.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Letter to the Universe - Merry Christmas!

I'm tired of thinking about the gratuity of life. I'm tired because living is a painful journey. Pain is inevitable while the suffering is optional. We can do nothing when life brings us moments of sadness.

We give up the fight? Certainly not...

But we can seek a less strenuous way. Lao Tzu says that knowledge brings to man the notion of their misery. It is not necessary to seek all the answers. We do not have to ask any questions about everything. It is often better to leave aside our curiosity.

The forbidden fruit of the Garden of Eden tree was the tree of knowledge. Precisely because he gave man a sense of himself. The forbidden fruit gave free will to man.

We have to evolve the freedom to the sense of duty. Full freedom is not good for our improvement. Without the sense of duty we can do nothing before everyone else.

OK ... Let it be!

This Christmas I wish you all that life brings much peace and serenity.

Happy 2016!

EsoEstudos - Estudos Esotéricos Livres

domingo, 6 de dezembro de 2015

Panteísmo

Ainda outro dia assisti a um programa de divulgação científica, salvo engano, originário da BBC de Londres, em que cientistas retiraram a base estrutural, de colágeno, de um coração de porco e passaram a aplicar sobre essa estrutura células-tronco humanas.

Independentemente dos vários quilômetros de meandros científicos, o que se tem é que, conforme as células-tronco são aplicadas sobre a estrutura já formada de um determinado órgão, essas células simplesmente respondem com a especialização de células correspondentes a tal estrutura.

Então é assim. As células, de alguma forma, percebem que a estrutura é de um coração (mesmo de outra espécie, mas suficientemente parecido) e passam a formar os tecidos adequados do órgão correspondente.

Essa pesquisa é uma das mais promissoras para que o homem, um dia, possa forjar um coração 100% compatível caso precise de um transplante.

Ora, como assim as células percebem que a estrutura é de um coração e passam a especializar tecidos adequados !!!?

Não se trata de um comando cerebral. Não se cuida de nada além da colocação das células-tronco sobre uma estrutura. Como é que as células sabem, detalhe por detalhe, como devem ser os tecidos que hão de preencher a estrutura de base?

Detalhe: o coração que os cientistas já puderam desenvolver (ainda insuficiente), já atingiu capacidade funcional de cerca de 25% (!!!). Ele pulsa. Sozinho. Basta mantê-lo em condições que simulem sua conexão com um organismo. O documentário exibia o coração num vidro, submerso em um líquido e conectado a tubos. Pulsava.

Muito significativo que esse experimento, apesar de feito sem nenhuma intenção metafísica, põe em cheque a tese do Modelo Organizador Biológico, pelo qual o psicossoma, ou perispírito, seria a matriz para as estruturações físicas.

Uma base de colágeno de porco dá ensejo à formação de tecidos humanos com o uso de células-tronco. De todo modo, como a ciência não dá explicação alguma, é de se arriscar a elaboração de tese ainda metafísica para o fenômeno. Seria o caso de condução extrafísica do experimento? 

Nunca me agradei da informação que compõe a tradição esotérica no sentido de que o psicossoma percebe e funciona por toda sua estrutura, não ostentando células ou órgãos especializados. Já o Espiritismo, notadamente com as obras psicografadas de André Luiz, veio afirmar que, sim, o perispírito tem células, órgãos, sendo o corpo físico um seu reflexo, e não o oposto.

Mas, como interpretar o fenômeno da especialização por células-tronco?

Cada célula do organismo tem em seu núcleo a codificação genética de todo o soma. No caso das células-tronco, além de ter essa codificação, permanece a capacidade de especializar as células que delas se originam. Então, cada célula-tronco é um universo em potencial para a formação de todo um corpo, de todo um organismo, um macrocosmo em que macromoléculas bailam sob uma multiprogramação de tudo abrangente.

Cada vez mais reacende a visão dos antigos sobre o Panteísmo. Os espiritualistas ocidentais abandonaram a visão panteísta reputando absurda a tese de que somos partes do próprio Criador. O Espiritismo nega veementemente o Panteísmo.

Contudo, a forma como apreciam a questão é simplista e totalmente incompleta.

Quando pensamos em coisas como o tema dessa postagem o Panteísmo se apresenta novamente à consideração com um mínimo de profundidade para uma concepção menos superficial.

Afinal, diante dos Espíritos-grupo dos metazoários que habitam esse orbe, nada estranho que essa Humanidade advenha de um Espírito-grupo também.