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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Meu pai retornou ao plano espiritual

No dia 19 de fevereiro de 2014, por volta da meia noite, meu pai, Gerson Barbosa da Silva, retornou ao plano espiritual. Sua partida se deu após paradas cardíacas resultantes de hemorragia gástrica. Tinha 85 anos.

Costumava chamá-lo de gran fascio ("grã facho"). Era um homem de inúmeros talentos. Músico (dos bons!), esmerilhava o clarinete entre fusas e semifusas. Desenhava, pintava, esculpia... Criava o tempo todo. Dono de uma imensa capacidade de aprender, tudo aprendeu sozinho. Por 32 anos esteve numa farda do exército, como sargento, orgulhoso de seu brevê de paraquedista.

Meu pai ensinou-me muitas coisas... Na verdade, muito mais do que qualquer um possa imaginar. Nem mesmo o mais próximo parente sequer pode imaginar como era a essência de minha relação com ele. Ninguém, ninguém mesmo...

Muitas foram as tardes de sábado que ficamos, apenas eu e ele, em nossa casa. Nesses momentos, tanto ele como eu, preferimos a companhia um do outro a qualquer conveniência. Só nós sabíamos os porquês...

Bastava um olhar. 

Não espero que ninguém mais entenda ou acredite no que digo. Basta-me saber que é verdade. Ele também sabe.

Hoje não me sinto poeta... Não me sinto escritor... Não me sinto nem um pouco afeito com a expressão de minhas emoções... Por isso estou me pondo assim, num colóquio simples mas sincero. Se alguém mais ler essas palavras, que o faça por sua própria conta e risco...

Meu pai me ensinou a ser pau de dar em doido.

Ensinou-me que devemos ser, não da linha dura, mas da linha RETA.

Ensinou-me que não importa o que os outros pensem, mas sim o que nós sabemos de nós mesmos. E o resto que se foda...

Ensinou-me que, por vezes, a vida nos encaminha para coisas que simplesmente devem ser feitas, mesmo que não gostemos.

Ensinou-me que ninguém vai nos prestar nenhum reconhecimento acerca dessas coisas...

Ensinou-me que, portanto, de nada adianta explicar porra nenhuma...

Ensinou-me que a palavra mais importante é nós; e que a menos importante é eu.

Ensinou-me que para se ter a paz é preciso estar pronto para a guerra.

Ensinou-me que a honra vale mais, muito mais do que o chororô de quem se compraz no divã das vítimas.

Ensinou-me que o silêncio é muito mais que uma prece e que é preciso muito mais coragem para calar do que para estertorar a histeria do desencanto.

Ensinou-me que as convicções pessoais, desde que honestas, sinceras e enraizadas na alma, valem mais do que o conforto da auto-corrupção com que a auto-piedade oculta mentiras e omissões.

Enfim, ensinou-me muitas coisas dessa vida, em meio a partidas de gamão, lições de música e várias concordâncias e discordâncias nas conversas que travamos, longe dos olhos e dos ouvidos de tantos que, hoje, imaginam algo saber...

Vai gran fascio... Um dia estaremos juntos de novo. Jogaremos uma partida de gamão e colocaremos o papo em dia. Para surpresa de tantos...

Estive com ele em seu leito na UTI. Por meia hora pude falar com meu velho. Cantei para ele a música com que, tantas vezes, fui acalentado para dormir quando bebê:

Cumprindo no espaço a missão dos condores

Valente e audaz não vacila um instante
Nas asas de prata ao roncar dos motores
Vai a sentinela da pátria distante


Chegado o momento descendo dos céus
Num salto gigante surgindo do anil
Vai ele planando no templo de Deus
Lutar em defesa do nosso Brasil


Paraquedista !
Guerreiro alado vai cumprir sua missão
Num salto audaz 
Vai conquistar do inimigo a posição


Paraquedista !
No entrechoque das razões sempre serás
O eterno herói 
Que no avanço da luta ninguém deterá


ATÉ BREVE!!!


2 comentários:

  1. Ninguém, ninguém, mas ninguém mesmo pode imaginar o quão estranhos são os caminhos que alguns escolhem para reescrever o que ainda está sob a tinta fresca de vívidas recordações.

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  2. E, por favor, não me falem de assuntos que tratei com quem me foi depositário e depositante de fatos que só a nós dizia respeito.

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