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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Criador e Criação

O saudoso Raulzito, em sua já clássica Gita, esculpiu uma frase muito significativa: "Saiba que eu estou em você mas você não está em mim". Não encontrei melhor forma de exprimir a onipresença do Criador em cada criatura. Somos evolucionários habitantes da matéria densa. Nosso organismo é um imenso emaranhado de macromoléculas interativas em um ajuste fino de reações bioquímicas. No outro extremo, o Pai Eterno, sobre o qual praticamente nada podemos saber. A mônada celeste habita cada ser humano na comunhão do Criador com sua criação, sem embargo de não termos sobre esse liame senão um construto de pura imaginação conceitual. Curiosamente, tanto nos ensinamentos rosacruzes (linha de Heindel) como em meio aos vastos documentos do Livro de Urântia, aprendemos que nos imensos planos existenciais que intermedeiam o mundo da matéria física e a mais elevada dimensão os liames são de molde a ligar diretamente os extremos, enquanto que os demais se ajustam em coligações simetricamente concêntricas. Disso resulta que entre Deus e o homem existe, sim, uma ligação direta, uma semente plantada no coração que vibra em harmônico gravíssimo porém perfeito do tom original advindo da própria Divindade. Como o tresloucado Raul disse ("tresloucado", aqui, de forma carinhosa), Deus está em cada um de nós, mas nós não estamos Nele. A religião, que se jacta da origem terminológica ("religare" - religar o homem a Deus), certamente não vem conseguindo grandes avanços em seu mister essencial. Humildemente prefiro buscar a elevação de meu tom vibratório pela livre adoção de tudo aquilo que, nos limites de minha pequenez, já consigo identificar como "bom". "Bom", sim, no sentido de adequado e cooperante para a minha evolução e para a evolução de tantos semelhantes quantos comigo tenham contato, de uma forma ou de outra. Sem dúvida agrada aos olhos de Deus qualquer ateu que tenha boa-vontade, indulgência e perdão para com seu semelhante, muito mais do que o fervoroso habitué de templos que exaure nisso sua busca pelos harmônicos mais refinados da sinfonia evolutiva. Paz e Serenidade!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Deus - existência, inexistência...

Curioso como tantas pessoas debatem-se em polêmicas acerca da existência ou não de Deus. É uma daquelas discussões que quase sempre levam a ironias de parte a parte, beirando ao desrespeito para com a opinião conflitante. Na verdade a grande ironia reside no aspecto filosófico de que, sendo Deus considerado o Criador de tudo o que existe (ponto comum a partir do qual partem os que concordam e os que discordam da existência), é Ele essencialmente inexistente. Não faz sentido separar-se o Criador da Criação, da mesma forma que os órgãos responsáveis pela respiração não se confundem com a atividade respiratória em si. Não se cogita do sistema respiratório senão pela atividade que desempenha: a respiração em si é real, mas é algo apenas "abstrato" do ponto de vista da interação dos órgãos respiratórios atuando em conjunto. Então, o Criador é inexistente do ponto de vista da Criação, mas como a Criação está aí, contínua no fluxo dos fenômenos que se sucedem na existência objetivamente perceptível, temos que o Criador é inerente a ela. Deus, pois, existe e não existe, conforme tenhamos essa ou aquela restrição de apreço pelo ângulo a ser considerado na questão. Um pouco mais de ironia: TODOS estão certos, ainda que parcialmente (se é que isso é possível do ponto de vista filosófico).

A Mansuetude

A mansuetude é um dom magno que o homem deve procurar cultivar com serenidade na construção de seu edifício evolucionário de paz interior. A ira é um vinho frisante sempre prestes a arremeter longe a rolha da garrafa. É a jactância do ego perante si mesmo, num misto de orgulho e arrogância, o olvido de nossa pequenez diante do Pai Eterno. Todos temos nossos momentos de fraqueza, máxime pelo desgaste acumulativo com que o estresse diário nos envenena e vai minando o bom-senso. Tenhamos paciência e boa-vontade. Lembremo-nos do ponto fundamental: todos nós necessitamos de perdão; portanto, não devemos nos deixar levar pela sedução da ira sob pena de recebermos o influxo inevitável de nossa contra-parte nas agitações violentas que imprimimos no éter a que estamos sintonizados.