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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Princípio Inteligente - Evolução

São inúmeras as referências em vários sites acerca da incompatibilidade entre o que a Doutrina Espírita expõe e a Evolução. Mas não há incompatibilidade alguma:

  • O PI progride e, desde que atinja determinado nível de conquistas, passa pela humanização.
  • O PI é, como o nome diz, um Princípio.
  • O Princípio engendra diversas formas de vida, ambientando-se em miríades de manifestações.
  • Não existe o PI humano, o que seria uma impropriedade em todos os sentidos. Um Princípio é um Princípio, não tem individualidade. 
  • Mas a forma de vida engendrada tem que progredir para que possa sofrer o influxo, cada vez mais abrangente, do mesmíssimo Princípio Inteligente.
  • Assim, como o homem não surgiu num piscar de olhos, só mesmo entendendo que a forma de vida que vinha progredindo anteriormente pôde atingir a individualidade plena e consciência de si mesmo.
  • Não há como entender que a forma de vida atinge a possibilidade de humanizar-se senão tendo avançado até os preâmbulos dessa fase --- daí existirem os antropóides.
  • Ocorre que a forma de vida que chamamos de antropóide, embalada pelo mesmo Princípio Inteligente, só chegou ao preâmbulo da humanização porque adveio de uma forma de vida menos avançada mas suficiente a um influxo mais complexo do PI, suficiente a ponto de tornar-se antropóide.

Bem, se continuarmos essa via reversa, do homem ao antropóide, do antropóide ao seu antecessor, e assim por diante, não vejo como imaginar que não há uma forma de vida fundamental.
PI é Princípio Inteligente

Um princípio emanado do Criador é uma potência, um potencial, um vir-a-ser impulsionado pela Vontade, pelo Pensamento que sustenta em seu seio o Universo. O que progride é o ser que, engendrado na matéria, ganha progressivamente mais e mais condições de sofrer o influxo do Princípio Inteligente.Um bonobo não tem "um PI" que se reencarna em seu progresso. O que reencarna é aquilo que os Espíritos afirmaram ser "por assim dizer" algo como uma alma. Os seres progridem forjando estruturas progressivamente mais complexas para a manifestação do PI, estruturas que passam a sofrer influxo cada vez mais intenso. O PI continua ampliando o desenvolvimento do próprio homem, mesmo após a conquista da consciência contínua e livre arbítrio, após a humanização.Afinal, é um Princípio Inteligente --- ou seja, o potencial emanado do Criador para a realização de sua Obra através dos seres.

sábado, 5 de novembro de 2011

Predadores Selvagens e sua inteligência


Alguns aspectos da vida dos animais fazem-nos pensar na surpreendente estatura que a inteligência atinge mesmo nos predadores selvagens. Ainda há a noção equivocada, na maioria das pessoas, de que os grandes predadores são massas musculares de força bruta. É do imaginário de muitos que leões e leopardos, por exemplo, sejam verdadeiros rolos compressores que caçam suas presas com facilidade e as devoram sem quaisquer preocupações.

Por outro lado, é comum também a ideia de que as presas, digamos, os antílopes, não passam de herbívoros toscos que se limitam a uma fuga instintiva e desesperada.

No entanto, a ciência hoje já observou o aprendizado que os guepardos realizam ao se aproximar de um grupo de antílopes. Chegam a ficar uma hora na espreita, lentamente se movendo. Usam do vento para evitar que seu cheiro os denuncie, mantendo-se cautelosamente em posição adequada. Quando elegem a presa que inicialmente atacarão, partem na dinâmica de um organismo sofisticadamente projetado para a máxima aceleração e velocidade. A cabeça, menor e mais aerodinâmica do que a de outros felinos, une-se à coluna através de ligamentos extremamente flexíveis. Observar um guepardo no auge de sua velocidade é fascinante. O corpo se estende em movimentos extremos enquanto a cabeça permanece incrivelmente nivelada a fim de manter os olhos aptos à visão plena da presa. O grupo de antílopes se dispersa na fuga, pelo que o guepardo, em frações de segundo, verifica os obstáculos que existem entre esse ou aquele espécime, cuidando de adotar o que esteja com campo mais livre e, ao mesmo tempo, dentro do limite de aproximadamente 30 segundos de sua explosão muscular. Mais importante do que a duração da explosão muscular, a temperatura do guepardo em muito aumenta após algum tempo de corrida, sendo fatal para o cérebro caso seja irrigado com sangue acima de 39 graus centígrados.

Por sua vez o antílope, longe de simplesmente partir em corrida cega, adota saltos de até 3 metros de altura como meio de fugir ao campo vertical da visão do guepardo. Quando percebe o felino muito próximo, usa de extrema agilidade para ziguezaguear e saltar. O guepardo necessita de vários ataques para conseguir pegar uma presa. 

E não termina aí. Como tem a estrutura física aprimorada para a velocidade, não tem garras nem cabeça que permitam estraçalhar a presa. Toma a presa pelo pescoço e a estrangula com a boca. Segura-a por até 10 minutos, enquanto respira ofegantemente para baixar o ritmo cardíaco. Cerca de metade das presas assim caçadas terminam sendo perdidas para predadores maiores. É que leões costumam ficar observando o trabalho dos guepardos e, após a presa ter sido interceptada, apresentam suas garras e dentes enormes para afugentar o guepardo.

O antílope, que não consegue correr à mesma velocidade que o guepardo, além de sua extrema agilidade em saltar e mudar de trajetória, conta com um órgão muito interessante, que não existe em seu predador. É uma vasta derivação da artéria que irriga o seu cérebro exatamente na cavidade nasal. A respiração ofegante do animal, durante a fuga, resfria o sangue que sobe até o cérebro, pelo que pode manter-se em plena corrida por mais tempo que o guepardo.

Enfim, temos aí pequenos exemplos da extrema capacidade desses seres elegerem sua conduta conforme o meio exige. Além disso, fica bastante evidente que a evolução das espécies obedece planos muito bem traçados e sofisticados de aprimoramento em cada nicho ecológico.

Mesmo assim há espiritualistas que hesitam em ver nos animais seres de mesma origem que nós, humanos, apenas mais recentes em sua jornada pela Obra.


domingo, 30 de outubro de 2011

Agonia do Egoísmo


A restrição física na matéria importa no ápice da individualidade que o ser pode experimentar. Curiosamente, acompanhando esse ponto máxime de individualidade, a liberdade de determinação, o livre-arbítrio, tem aí, também, o seu auge. É o império do Ego sobre o Eu Superior.

Fase decorrente do ingresso do ser na condição humana, o encontro da humanização com a individualização no plano da matéria densa importa, na grande maioria dos casos, no esquecimento pleno da origem e assunção da identidade experimentada como absoluta.

O exercício da consciência contínua sob os parâmetros de máxima individualidade, por iniciar-se juntamente com o aprendizado intelectual e moral do ser, faz com que um inevitável imediatismo nasça no senso perceptivo, limitando ainda mais o universo de cogitações e compreensão de cada sensiente.

Por isso o ser humano se vê envolto no imenso enredamento de instintos conquitados desde a fase animal enquanto percebe o meio sob a ótica da individualidade e liberdade absolutas, assim aprendendo e aperfeiçoando-se na dimensão do retorno, determinado pelos impulsos inatos da Natureza, aos planos menos densos e sob crescente senso coletivo com a diminuição proporcional da liberdade e individualidade.

Os conflitos são óbvios e compõem o próprio aprendizado.

Um fator muito fácil de perceber como efeito concreto e comum no dia-a-dia das pessoas em geral é a visceral defesa, pela maioria, de sua liberdade de auto-determinação e identificação enquanto ser único, individualidade que não se cogita um dia acabar.

Com raras exceções, todos defendem sua liberdade de pensar e agir, tanto quanto defendem-se enquanto indivíduos titulares de direitos perante os demais. De qualquer modo, tanto quanto a ilusão de privacidade de um pensamento, a liberdade plena de cada indivíduo é uma ilusão da qual as pessoas hesitam superlativamente em despertar. O ser humano se acha em um estágio evolutivo muito árduo no que diz respeito à experiência enquanto consciência lúcida. Como ápice de um longo processo de Evolução, conquistou enorme automatismo instintivo e, "mal" atingida a consciência contínua, se vê diante do desafio de progredir no sentido contrário ao da individualização.

O homem comeu do fruto do saber e foi expulso do paraíso. Lúcifer --- portador de Luz --- é o conhecimento adquirido.

Nesse contexto, o que de mal pode advir ao homem a partir desse momento não é o arrastamente de algum ser maligno às chamas de um pretenso inferno subterrâneo. É a resistência aos impulsos de elevação e transcendência à individualide que costuma causar efeitos desagradáveis, danosos e até tormentosos.

Quanto mais o ser se agarra à sua individualidade e plena liberdade de deliberação, mais e mais se cansa por resistência aos impulsos de ascensão, de reencontro com sua essência espiritual. A Evolução exerce sua pressão através do meio para que cada indivíduo retome o fluxo de experimentação mais sutil, menos material, em todos os fenômenos de sua vida mental.

Caim matou Abel... Teve que retirar tudo de que necessita do seu meio. Aprendeu a lavrar a terra. Ficou orgulhoso de si e, por isso, sol a sol, verteu o suor da luta diária até que, depois de longa experiência, reina na Terra pronto para voltar ao Pai.

A regra geral hoje vigente é daquele contínuo senso de insatisfação, seja qual for a situação diante da vida terra a terra. Quem se mantém na defesa de sua individualidade atinge a maturidade sôfrego pela solidão. Os que cultivam-se como Caim até hoje apartam-se do fluxo de ascensão que o Universo firmemente estabelece e, assim, desertam dos efeitos desse fluxo --- por isso sentem-se abandonados e "sem sorte".

É a agonia do egoísmo.



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Oitava Esfera

Interessante considerar que a Cadeia Planetária não aponta a existência de uma oitava esfera que, no entanto, é referenciada nos textos da tradição esotérica. Essa oitava esfera é decorrente de grupos na evolução a cada fase. Os seres individualizados exercem o seu livre arbítrio e, com isso, surgem os que não aquiescem à ordem geral com que a Vida faz fluir a Evolução. Antes de atingir o ponto mais baixo da materialidade o ser já se dota de ampla capacidade mental, pelo que habilitam-se alguns à "revolta" que caracteriza o "Anjo Caído".

Dos que se "rebelam", grupos inteiros demoram-se em meio a escolhas feitas tão somente pelo império dos sentidos, aguçados e inexcedivelmente intensos em razão de sua ambientação na densidade da matéria física. O instinto continua dirigindo o comportamento pela busca do prazer intenso que resulta da conversão das vibrações animais em fluxos bioquímicos. Vícios e paixões se estabelecem oriundos do instinto de conservação e um arrastamento às sensações se torna a primeira grande e tormentosa provação do ser.

Nasce o "mal" em contraposição ao "bem". A consciência do abuso torna o ser responsável a cada vez que se dá conta do caráter ilícito de seu comportamento. Enquanto a maior parte segue e progressivamente se reequilibra, alguns perdem-se e passam a destoar. São esse que passam a habitar a oitava esfera, não por outra razão denominada "Perdição".


terça-feira, 11 de outubro de 2011

Cadeias Planetárias


As cadeias planetárias compõem um esquema para a compreensão da sequência evolutiva desde a mônada até a conquista de estágios suprahumanos. Como todo desenho esquemático, é apenas referência didática. Cada Orbe indicado tem denominação meramente tradicional, sem preocupações terminológicas.
A sequência em si deve ser entendida como cíclica. Cada Orbe situa-se dentro do espectro vibracional do antecessor, assim como esferas concêntricas com raios progressivamente menores. Os globos físicos – de matéria densa – constituem, dentre outros aspectos, âncoras gravitacionais que sustentam os planos sucessivamente mais etéreos.
Há zonas de coincidência entre os diversos planos, áreas em que a Vida comunga experiências essenciais de mais de um plano. Equivale a dizer que habitantes de planos diferentes coexistem e mutuamente exercem influência, conquanto seja mais fácil para os mais etéreos lançar sua interferência no pensamento do homem comum. Isso ocorre tanto para o bem como para o mal, em submissão aos imperativos do fenômeno da sintonia. Enquanto fenômeno vibratório, o pensamento constitui-se de ondulações do meio fluídico que se habilita à veiculação naquela faixa de freqüência. Assim, o ser emite seu tom fundamental e todos os harmônicos decorrentes, a cada pensamento, atuando como autêntica antena transceptora.
Se, por um lado, é mais fácil a influência partir do habitante do plano etérico, por outro lado o pensamento engendrado na intimidade de estruturas físicas é exponencialmente mais grave, capaz de interagir até mesmo com a matéria física. Ao contrário do que a maioria imagina, a submissão de um encarnado por um desencarnado é mais difícil do que o contrário, pelo menos no que concerne ao dispêndio de energia, isto é, à concentração do pensamento. Ocorre que a influência em si é mais fácil de ser aplicada, repita-se, do plano etérico para o físico, permanecendo desconhecido do encarnado o seu imenso potencial para, com alguma disciplina, repelir o pensamento alheio. Curiosamente, situações há em que o encarnado se põe em monoideísmo quanto a um ente querido que desencarnou. A perturbação que isso causa no desencarnado é extrema, exatamente porque veiculada no padrão grave da condição física. Assim se dá na maioria das vezes em que a lamuriação se torna viciosa e se prolonga, só fazendo exceção os poucos casos em que a disciplina mental do desencarnado permite-lhe isentar-se da sintonia.
O Orbe terrestre está no ponto mais baixo da materialidade. É na Terra que esta humanidade atingiu o ponto de mais absoluta restrição e individualidade. Sendo o ponto de máxima restrição física e individualidade, a cisão quase que se estabelece em relação à essência espiritual. O homem comum jaz no plano físico esquecido de sua natureza imaterial. Esse fenômeno acha-se esotericamente descrito através do Mito da Queda.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Necessidade da Prece

Há um aspecto que merece ser considerado na busca do equilíbrio espiritual. Muito antes de pensarmos em criticar a religiosidade mais simples devemos bem avaliar se a pretensa condição de "esclarecido" basta à conquista do estado de isenção dos assédios espirituais perniciosos mais comuns. Isso porque, como sói acontecer, boa parte das pessoas sente-se "acima" da necessidade de cultuar um rito mínimo de devoção para fins de elevação de seu estado mental.

Tenha ou não informações sobre os fenômenos espirituais, o homem em geral, tão só por adquirir alguma formação, costuma rejeitar a prática - tão antiga quanto o homem -  da prece. Se for alguém um pouco mais informado sobre quaisquer ramos da ciência ortodoxa, muito provável que renegue quaisquer considerações metafísicas.

Paralelamente, há os que enfronham-se em estudos metafísicos e crêem que, apenas por isso, acham-se sob a jurisdição de alguma entidade de elevada estirpe, alguém que lhe garanta a proteção de um mestre.

É impressionante como o homem mediano tem a si mesmo com soberba e vaidade.

No dia-a-dia o que se vê é que há vaidosos envergando verdades religiosas e vaidosos trajando a túnica do misticismo, tanto quanto existem os vaidosos que elegem como "sagrado" o guarda-pó que vestem em seus laboratórios.

Todos eles devorando o naco de "verdade absoluta" que a Vida lhes destinou...

Mas quantos são os que transitam pelo planeta isento de influências negativas? É o mesmo que perguntar: quantos são os que não alimentam vícios e paixões, sejam simples ou sofisticados, quase sempre mal dissimulados sob pretextos e todo um ideário de auto-corrupção?

Pouquíssimos... 

Não tem sentido ignorar a via tão simples da prece sentida, verdadeira, feita com o coração, apenas por preconceito ou seja o que for... Só para se ter uma ideia, no âmbito da Conscienciologia há a, assim chamada, prática da tenepes. É a tarefa energética pessoal diária. Após ler sobre a tenepes o que fica é que se cuida de um bem elaborado sistema em que o praticante --- desde que se dedique sem auto-corrupções --- doa de si mesmo vibrações para uso dos amparadores em suas tarefas assistenciais.

Sem dúvida é um sistema que pode levar o ser a um equilíbrio espiritual que reúne a vantagem de inseri-lo no contexto de um consciente programa de atividades diante de seus amparadores.

Mas aqui é referida a tenepes por ser, pode-se assim dizer, a constatação de que a prece sentida, caso praticada sob o equilíbrio de uma postura serena, levará o ser a realizações muito interessantes. Entenda-se "postura serena" como o senso crítico necessário para evitar que a soberba e a vaidade poluam as intenções com a --- nem um pouco humilde --- autodeclarada condição de "salvo" ou "filho predileto" ou coisa que o valha...

Então, caso o ser não esteja na condição de realizar um trabalho interior e exterior de asserenamento e equilíbrio plenos --- como é o caso da imensa maioria dos seres humanos --- não deve deixar a boa prática da prece.

No frigir dos ovos o que resta é sempre e sempre a intenção. Ninguém consegue enganar a si mesmo enquanto ser multidimensional. Nada é mais ilusório do que a privacidade de um pensamento.

sábado, 1 de outubro de 2011

O Eu Interior


Já muito se disse e escreveu acerca da natureza ilusória de nossa realidade imediata. Visões quase sempre alicerçadas em profundas escolas da filosofia espiritualista do Oriente, também no pensamento ocidental viceja semelhante ideário como nas obras de Tolle.

Não é fácil assimilar que tudo é ilusão. Sempre que ouvimos algo assim pensamos em miríades de interpretações que fazem a ideia básica mais palatável. O nosso senso objetivo, principalmente com nossa formação ocidental, exige tiranicamente que tenhamos à mão uma interpretação tolerável para isso.

Não são poucos os que pregam a impossibilidade de compreensão analítica, remetendo às plagas da intuição e abstração livre a percepção transcendente necessária à assimilação de que tudo é ilusão.

Mas podemos conceder uma trégua à dicotomia "razão / intuição", buscando pensar como sempre o fizemos mas transcendendo os limites do que pareça, de imediato, absurdo.

Todos concordam que o mundo objetivo com o qual temos contato nos vem à consciência através dos sentidos que o percebem. A visão, o paladar, o olfato, o tato e a audição são os sentidos da percepção ordinária, através dos quais construímos o ambiente em que vivemos.

Mas todos esses cinco sentidos imediatos da percepção humana não passam de sinais elétricos encaminhados ao cérebro para interpretação. Não há dúvida possível. A percepção de tudo o que existe é a resultante de um imenso enredamento de sinais elétricos que o cérebro bem cuida de concatenar e transformar em fenômeno perceptivo.

Curiosamente, quando nos detemos na intimidade de um momento conosco mesmos experimentamos uma leveza sedutora, algo muito suave que nos convida prazerosamente ao devaneio.

Eis aí o ponto crucial.

A Natureza dota o ser de uma infinitude de instintos (ou impulsos) que conduzem à sobrevivência da espécie. Nesse estágio de império dos sentidos, a percepção do ser interior teve que dar lugar aos automatismos imprescindíveis à conquista do meio ambiente desde as remotas eras em que quase não diferíamos dos animais sem consciência contínua.

O ser consciente tinha em mínima parte sua percepção interior, porquanto a vazão dos procedimentos instintivos tinha que estar, sempre e sempre, no ponto máximo das prioridades do comportamento.

O veio denso e extremamente irritadiço da secreção das supra-renais inundavam constantemente o ser, pondo-o pronto a lutar ou fugir sob a abençoada ansiedade da constante prontidão.

Não havia muito espaço para a percepção interior... Ademais, o ser necessitava bem adestrar-se nas últimas provas dessa formação animal antes de apreciar a valoração de sua conduta.

Bem sabemos o que é a noite. Compreendemos bem o que é o dia. No entanto, quando o Astro se pôe no horizonte e as estrelas não podem ser ainda percebidas, estamos naquela transição em que o dia agoniza e a noite ainda não nasceu.

É uma transição. Como tal, dura bem menos do que as fases que intermedeia. Mas, ainda assim, enquanto vigente confunde o viajante em meio ao cinza que permite ver sem perceber claramente.

É aí que estamos...

Na transição entre o animal e o puramente humano. Temos ainda as forças pujantes de nossa vida instintiva e aquela voz interior no martírio de um sussurro a que não damos a devida atenção.

Mas o concerto de nossos condicionamentos instintivos foi tão maravilhosamente desenvolvido que nos reveste a mente mesmo nos mais avançados processos intelectuais.

Criou-se, assim, um "eu" submetido aos contornos da imensa gama dos apurados sentidos imediatos. Estabeleceu-se aquele "eu" que conseguiu emergir desse revolto e denso oceano de condicionamentos. É o nosso "eu" que se vangloria de ter o racionalismo frio e objetivo de um predador ao adotar a tática de perseguição e ataque.  O "eu" que lambe os filhotes e morre para defendê-los. O "eu" que, de tanto reconhecer-se no topo dos sentidos, identifica-se consigo mesmo a ponto de reputar-se o único e verdadeiro "eu". 

O "eu" imediatista ganhou tamanha desenvoltura que se julga independente da essência. 

Mas a pequena voz interior insiste em nos despertar para outra realidade, menos aparente, mais profunda, que se situa na geratriz de tudo o que veio a se tornar esse enredamento de instintos e razão. A voz interior do nosso Eu essencial.

Quando nos demoramos conosco mesmos é esse "eu" que nos tenta afastar em direção ao mundo externo no qual "ele" percebe-se único e reina. A voz interior permanece em seu sussurro.

Eis aí a condição da maioria das pessoas. Sente o Eu interior como uma força abrangente e impessoal, exatamente por não se vincular aos limites dos sentidos. E uma enorme dificuldade em dar vazão a essa voz interior. Porque, do alto de seus imensos condicionamentos, tenta identificar, analisar e esquadrinhar uma tática para atingir o seu interior, exatamente a postura que impede essa percepção.

domingo, 18 de setembro de 2011

Oitava Esfera - A. P. Sinnett


"Até o momento deve ter sido ininteligível aos leitores comuns a denominação "oitava esfera"; mas, depois de explicada pela primeira vez a constituição setenária do nosso sistema planetário, o significado ficará bastante claro. As esferas pertencentes ao processo cíclico da evolução são em número de sete, mas existe uma oitava em conexão com a nossa Terra, nosso ser terreno. Como se há de recordar, esse é o ponto de reversão na cadeia cíclica, e esta oitava esfera está situada fora do circuito, sendo uma espécie de cul-de-sac, por ser uma região da qual pode em verdade dizer-se que nenhum viajante regressa.
 

Pode-se conjecturar facilmente que a única esfera relacionada com a nossa cadeia planetária, que ocupa um lugar inferior ao da nossa, nessa escala, que tem o espírito no seu extremo superior e a matéria no âmago, não deve ser menos visível à vista e aos instrumentos ópticos do que a nossa própria Terra. E, como as funções que esta esfera tem de desempenhar em nosso sistema planetário estão imediatamente associadas com esta Terra, não há, na atualidade, muito mistério quanto ao enigma da "oitava esfera", nem quanto ao ponto do céu onde se pode encontrá-la. Entretanto, as condições de existência nela são assuntos sobre os quais os Adeptos são muito reservados em suas comunicações a discípulos não iniciados, e com relação a estas informações nada tenho, por agora, a externar.

Contudo, existe sobre isso uma afirmação definida, a saber, que a degradação total de uma personalidade, capaz de arrastá-la depois da morte para o raio de atração da "oitava esfera", é uma ocorrência bem rara. Na imensa maioria das vidas existe algo que os princípios superiores podem atrair para si, algo que pode redimir de uma destruição total a página de uma existência que acaba de passar."




Tomando de empréstimo a lição de Rodolfo Domenico Pizzinga:

"A Oitava Esfera é uma espécie de resto ou sobra proveniente da antiga Lua (3ª Esfera) derivada de seu desenvolvimento como antecessora da Terra, e, portanto, (ainda) tem alguma relação com a Terra. O termo decorre do fato de existirem sete esferas conhecidas há muito tempo: Saturno, Sol, Lua, Terra, Júpiter, Vênus e Vulcano. O diagrama esquemático abaixo (o original é de autoria de Rudolf Steiner) pretende dar uma idéia do que seja essa Oitava Esfera, que se situa fora (do eixo evolutivo dos estágios de desenvolvimento seqüencial) das sete esferas anteriormente citadas (que, concertadamente, deveriam ser desenhadas uma dentro da outra). " --- Fonte: http://paxprofundis.org/livros/illuminati/illuminati.htm




sábado, 10 de setembro de 2011

Simbolismo


"Deus é espírito e em espírito deve ser adorado. Por isso, é totalmente
desnecessário tentar idealizar uma forma material d'Ele, pois nada que
imaginarmos conduziria a uma idéia adequada. Mas, do mesmo modo que
saudamos a bandeira de nosso país com alegria e entusiasmo porque
desperta em nós os sentimentos mais ternos pelo lar e por nossos entes
queridos e, em conseqüência, suscita os nossos mais nobres impulsos
por ser um símbolo de tudo que mais prezamos, assim também agem os
diferentes símbolos divinos dados à humanidade de tempos em tempos,
aquele acervo de verdades que já estão em nossos corações e despertam
nossa consciência para as idéias divinas que transcendem as palavras.
Contudo, o simbolismo, que realizou um papel importante em nossa
evolução passada, é ainda uma necessidade primordial em nosso
desenvolvimento espiritual".


Max Heindel --- Iniciação Antiga e Moderna

domingo, 28 de agosto de 2011

O Verniz e a Madeira


Cada um de nós tem um plano de vida. Esse plano de vida abrange o que fazemos de nós em relação a tudo o que nos cerca. Podemos imaginar que a Obra a se realizar nesse plano é como uma viga de madeira.

Uma viga de madeira cujo comprimento exato não conhecemos. Sustenta o nosso plano de vida e, junto às vigas de tantas outras Vidas, ajuda a sustentar o telhado que a todos cobre e protege.

Em cada momento de nossa jornada, progredimos amparados pela viga que nos evita a precipitação em vôo livre e sem propósito.

Cuidemos bem do amparo que nos conduz.

Ao primeiro sinal de que a madeira acha-se sob risco, não deixemos que a sedução de cobrir a imperfeição com um verniz dê uma falsa solução do modo mais simples e fácil. Não... É importante que agitemos uma lixa, quanto mais grossa e dolorosa melhor, a fim de eliminar toda a poeira do dia a dia e desnudar o veio da madeira, exibindo-lhe a imperfeição para que possamos bem avaliar se de um mero risco de trata, ou de uma trinca que alerta para uma fratura anunciada.

Os meios de que o Cosmo se serve na condução do todo universal é transcendente à compreensão do ser humano. Muitas vezes basta que lixemos, ainda que sob dor e medo, para que a imperfeição seja corrigida e a madeira volte a ostentar seus veios de harmonia e segurança. Aí sim, podemos aplicar-lhe, envaidecidos, o verniz que protege e embeleza.

No entanto, caso a sujeira retirada e a camada de madeira sacrificada revelarem uma trinca, nada de vernizes! É preciso fazer tudo o que podemos para prover esse ponto da viga com redobrados cuidados. Se necessário, que a Obra aguarde a construção de todo um pilar de sustentação, até o solo, mesmo que isso exija tempo e esforço. É o preço da manutenção do todo sob a segurança sem a qual o risco de desmoronamento só aumenta com o tempo.

O verniz é saudável e protege a madeira bem cuidada e sem defeitos. Fora disso, é camada que dissimula sujeira e eventuais trincas, mantendo o risco para o futuro.

Há quem se revolte ante a necessidade de demorar-se nos cuidados inadiáveis que surgem passo a passo na condução da Obra. Há quem ouse abandonar-se ao espaço e simplesmente deixar para trás a viga de seu plano de vida... Quem assim faz, precipita-se desconhecendo o que encontrará abaixo, quando os limites naturais exigirem o pouso para o refazimento inevitável.

Já dissemos que não podemos compreender o Cosmo. De fato, a demora na correção de uma trinca é, na verdade, parte integrante da Obra a que nos vinculamos diante do Grande Arquiteto do Universo. Se não cuidarmos de manter a sustentação que nos cabe, estaremos desertando não apenas do nosso plano de vida, mas da nossa devida parcela de apoio ao todo que a todos abrange.

A Viga de cada um é o seu plano de vida. O Verniz é o embelezamento que adorna a tarefa bem edificada. A Madeira é a essência da Obra em realização.

sábado, 20 de agosto de 2011

Sem diferenças não haveria igualdade...


Estar em harmonia é muito mais do que pretender o reducionismo de um acorde isento de dissonâncias... Ao contrário, os arranjos mais ricos da sinfonia em que o ser avança traz sétimas aumentadas, quintas diminutas, transcendendo a impressão primária de um coro uníssono com a enarmonia do canto dos Anjos.


Muito mais tranquila é a rota dos que se guiam com os olhos fitos na bússola confiável. Muito mais rica é a travessia dos que descobrem os caminhos.


Até mesmo no uso simples dos fonemas que aprendemos a reconhecer como palavras e ideias subentendidas, vemos o ser humano digladiando-se pela impressão de maior sensibilidade de certos estilos, formas, expressões. Um acorde dissonante, solto no ar à ausência da sinfonia em que se legitima, não traz senão um vibrar de dor e fealdade. No entanto, a mesma dissonância importa no prantear de uma melodia que, desnuda dessa roupagem de emoção, pouco mais que um simples assoviar seria.


Ainda assim, a orquestra que nos envolve a todos neste concerto cujo Maestro sequer entrevemos, dota-se tanto do flautim agudíssimo que desagrada na solidão, como dos timbalos que, nos limites de sua simplicidade, apenas ressoam como os trovões.


Os clarinetes, no registro grave de sua soturna fluência, ostenta o timbre aveludado que as demais palhetas sequer ousam imitar.


Mas somos, todos, em conjunto, a própria orquestra... Ninguém é mais ou menos importante, subvertendo-se a noção, ainda tão comum, de que o spalla, empunhando sua madeira brilhante e de reluzente verniz, faria mais falta do que o percussionista. Ravel jamais nos tocaria a alma no cíclico movimento de seu impecável "Bolero" não fossem as baquetas que repercutem no couro variando enormemente a intensidade sem, contudo, mudar o ritmo do início ao fim.


Mas o ser humano ainda se condói por divisar os limites de sua condição atual, contrastando com os demais em aspectos que, muitas vezes, sequer têm importância para o invejado paradigma.


Amemo-nos em nossas diferenças. Mais que isso. Tenhamos em mente que, não fossem essas diferenças, sinfonia alguma haveria. 
EsoEstudos - Estudos Esotéricos Livres

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Trindade


A Unidade representa o conceito de que o todo é uno. Tudo o que é, é em si enquanto sendo. O existir confunde-se com o ser. Tudo é em tudo. O Universo, o Cosmos, é uno. Criador e Criação compõem-se em um mesmo todo.

O Binário, a dualidade, é o conceito de que a Criação, enquanto parte do todo não se confunde apenas com uma parcela desse todo. O todo transcende à soma das partes. A Criação atinge o nível de consciência através da dualidade e passa a conhecer o todo sob uma cognição dualista. A Criação percebe a realidade a si passível de conhecimento através de um viver sensório-dialético. Aprende que existe o quente e o frio, daí progredindo para a noção de morno. Conhece o claro e o escuro, passando a conceber a penumbra. O morno e a penumbra são exemplos do que advém à Criação em transcendência aos limites do conhecimento primário.

O Ternário é o retorno à noção de que a Unidade e o Binário constituem um único todo. O Pai cria o Filho e mantém com ele uma Relação de Paternidade. O todo exsuda de si a parte que, ganhando individualidade, retorna ao todo não mais por identificação, mas sim por comunhão.

A Criação ganha consciência e se individualiza na realização de si perante o todo. Passa a harmonizar-se com o todo pela comunhão ou dele se afasta pela liberdade de opção, refratando-se pelo cristal do livre arbítrio que reside no seio granítico com que Cronos amolda seus filhos antes de devorá-los.

Somos Um com o Todo Universal apenas quando entramos em comunhão com Ele. Se nos afastamos, não pecamos, não erramos, apenas compomos harmônicos dissonantes que, ademais, servem-nos ao aprimoramento de padrões ainda mais elevados do que a simples aceitação dos acordes uníssonos.

Somos a Glória do Pai Eterno e a Alegria do Mundo. Somos o Pai e o Filho irmanados no Espírito Santo.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Mística Quântica? Relatividade Esotérica?

Há várias referências à física quântica no meio esotérico atualmente. Em boa parte, deve-se isso às contribuições de Capra em O Tao da Física e O Ponto de Mutação. Mas nada supera a referência mais festejada nos dias de hoje: Amit Goswami. Físicos ortodoxos continuam torcendo veementemente o nariz. refutando a postura mística com que seus colegas escrevem sobre essa área tão estranha da mais conservadora das ciências.
Mas a física quântica é, mesmo, muito mística. Queiram ou não os físicos materialistas, é muito difícil deixar de reconhecer certos paralelos entre o que diz a física atômica e o que os antigos estudiosos do ocultismo, tanto no oriente como no ocidente, já vinham afirmando. Goswami chega a afirmar que o descrímen entre os resultados possíveis de um experimento quântico decorre da consciência de quem observa o fenômeno.
Seja como for, jamais o conceito de maya ficou tão evidente como agora que a física de partículas nos acena com um autêntico tudo é ilusão.





 Uma partícula, um corpúsculo, uma pequena porção de matéria... Será? O bom de não ser um cientista é que podemos pensar sobre os conceitos com que eles trabalham sem nenhum compromisso. Acho que é isso que os deixa tão irritados...
Uma partícula. A confluência de inúmeras onduletas em fase, somando-se em amplitude, gera uma resultante de grande energia. Uma singularidade. Para o observador será uma partícula. Uma onduleta de enorme amplitude, uma forte curvatura do espaço. Uma dobra retorcida que se desloca na textura do espaço.
Espaço... Eis um conceito que fervilhou na mente do genial Einstein. O pai da relatividade jamais aceitou os postulados da mecânica quântica. Conversou com Bohr e não chegaram a nenhum ponto comum. No entanto, cunhou esquisitices tão maravilhosas quanto. A gravidade, por exemplo, não é a ação de um campo de força. Imaginemos um corpo massivo, gravitando no espaço vazio, como uma bola de boliche colocada sobre um pano. A deformação do pano serve como referência aproximada da deformação que os corpor massivos geram no espaço. Uma bolinha de gude solta na beirada do pano corre em direção à grande bola de boliche. Eis aí um modelo que demonstra o que seria a gravidade exercida pelo corpo massivo aos corpos menores que o circundam.
Enfim, se o espaço se curva, se deforma, mantendo contudo o todo preenchido por sua textura onidirecional, conceber que o tempo se altera é bem menos dramático. É até desnecessário. Ora, próximo da velocidade da luz o corpo vence uma dada distância em menos tempo. Se aplicarmos a física newtoniana, o tempo que levaria para ir de A até B não pode ser definido pelas leis clássicas do movimento. Então, de duas uma: ou o tempo passa mais lentamente, ou o espaço se encurta. Diante da noção relativística de gravidade, chega a ser confortável imaginar que é o espaço que se encurta.
Imagino a expressão de Sir Isaac Newton...
Outro ascpecto que costuma ser ignorado pelos físicos ortodoxos é que o nosso inexcedível Newton, que concebeu a Física a partir de sua genialidade, passou mais tempo de sua vida pesquisando metafísica do que físcia propriamente dita... Teceu interessantes cogitações.

A ocupação principal da filosofia natural é discutir, a partir dos fenômenos, sem disfarçar hipóteses, e deduzir causas de efeitos, até chegarmos à causa primeira de todas, que, certamente, não é mecânica; e não somente desvendar o mecanismo do mundo, mas, principalmente, resolver estas e outras questões similares. O que há em lugares quase desprovidos de matéria, e por que é que o Sol e os planetas gravitam, uns em direção aos outros, sem matéria densa entre eles? Por que motivo a natureza nada faz em vão; e por que surge toda aquela ordem e beleza que vemos no mundo? Para que propósito existem os cometas, e por que os planetas se movem, todos, da mesma forma, em órbitas concêntricas, enquanto que os cometas se movem de outras maneiras em órbitas muito excêntricas, e  o que impedem as estrelas fixas de caírem umas sobre as outras? Como os corpos dos animais são concebidos com tanta arte, e para que fins seriam suas diversas partes destinadas? Foi o olho criado sem o conhecimento da ótica, ou o ouvido sem o conhecimento dos sons? Como os movimentos do corpo seguem a vontade, e de onde vem o instinto dos animais? Não é o sensório dos animais aquele lugar em que está presente a substância sensória, e no qual as espécies perceptíveis das coisas são levadas através dos nervos e do cérebro, para que lá possam ser percebidas, por sua presença imediata, por aquela substância? E, sendo essas coisas executadas corretamente, não parece, a partir dos fenômenos, que haja um ser incorpóreo, vivo, inteligente, onipresente, que, no espaço infinito, como se fosse seu sensório, vê as coisas intimamente, e as percebe inteiramente, e as compreende completamente pela sua imediata presença perante ele?. (NEWTON, I. O Peso e o Equilíbio dos Fluidos, trad. de L.J.Baraúna, Nova Cultural, 1991, Newton. Isaac, 1730, págs: 344 e 345). 



domingo, 17 de julho de 2011

Espiritualismo / Aliens / Mitos Antigos

De tempos em tempos o tema se reacende. Documentários bem produzidos se revezam com más produções acerca do tema. Haveria uma correlação entre a tradição esotérica dos povos e a tese de Erich van Däniken? Para quem não gosta de Däniken, lembremos que há muitos estudiosos dos chamados "Astronautas Antigos". A tese remonta aos escritos sumérios.

O povo sumério viveu no sul da Mesopotâmia, onde hoje está o Iraque. São os autores dos registros literários mais antigos da humanidade, ao menos pelo que se sabe até hoje. E estes registros são, no mínimo, muito curiosos.

Os Mitos Antigos terminam se mostrando uma sucessão de uma mesma história. O Mito Solar dos antigos egípcios, como já abordado, foi transposto à cultura hebraica e nos chegou, através do Novo Testamento, como a história de Jesus. Hórus e Jesus comungam da mesma trajetória perante a Humanidade. Não tem sentido nem finalidade alguma "defender-se" um ou outro. De nada importa, senão o ensinamento transmitido.

Mas também os registros mais antigos são releituras de uma mesma epopéia. Os sumérios já nos falavam do mesmo dilúvio que teimosamente se apresenta em outras tradições.

Alinhavando tudo chegamos a uma quase bizarra concepção. Os Anunnakis são apresentados como divindades, significando, segundo os estudiosos, algo como "os que vieram do céu". Basta dar uma singela olhada nos registros gráficos dos sumérios para ficarmos tentados a concordar com os que defendem serem, mesmo, astronautas os deuses da humanidade. Claro que há muitas bobagens, teorias mirabolantes que pululam por toda a internet; porém, filtrando-se com cuidado, podemos achar informações históricas que confirmam a extrema semelhança das divindades sumérias com astronautas. Ademais, o conhecimento sumério sobre astronomia era surpreendentemente desenvolvido.

Paralelamente, o homo sapiens parece uma aberração da natureza. Como assim? Ora, ninguém consegue explicar como, de repente, surgiu o homem com sua célere capacidade de aprender. Na escala de tempo geológico, o homem surgiu agora há pouco. Ainda assim, sendo um mamífero totalmente indefeso por longa infância, simplesmente deu o ar da graça e resolveu ficar...

Os estudiosos da tradição suméria defendem que os extraterrestres, os Anunnakis, vieram e geraram híbridos com os primatas que por aqui havia. Como e para que são perguntas que mais trazem confusão do que esclarecimento. Com base nos textos antigos dos sumérios, há quem diga que assim o fizeram porque precisavam gerar escravos suficientemente aptos para suas atividades.

Não creio que se possa fazer qualquer ilação desse porte... Já é bastante pensarmos que os gens dos primatas possam ter sido manipulados por seres suficientemente avançados.

Teimo em pensar que esse tema vai continuar por aqui.






domingo, 10 de julho de 2011

Abra sua mente às ideias estranhas

Existem verdades cuja maior virtude é nos fazer conscientes de que nada é mais ilusório do que uma certeza. Pensemos na física newtoniana. Basta a leitura de um livro de divulgação científica sobre física relativística ou mecânica quântica para nos darmos conta de que a física newtoniana, perfeita para a experiência comum do ser humano, nada significa para os fenômenos do macro ou do microcosmo.

Nada significar, aliás, chega a ser um eufemismo. A física newtoniana, arrastando consigo nossas mais sedimentadas convicções, desce pelo ralo quando o tema é a relatividade ou a física subatômica.

Newton faz com que simples mortais, como eu, sintam-se ameboides... Por exemplo, desenvolveu o cálculo diferencial e integral porque precisava de uma ferramenta matemática para expressar o seu raciocínio. Até hoje tenho dificuldade em resolver problemas matemáticos sobre limites e derivadas. Talvez deva me considerar pouco menos do que uma ameba perto de Newton...

Mesmo assim, nada do que genialmente ele compreendeu do universo serve para o macro ou para o microcosmo. Graças a Deus não precisamos ser físicos teóricos para conhecer ao menos os conceitos rudimentares da física do macro e do micro. É como uma vingança. Não chego nem perto de Newton mas sei que toda a sua genialidade não impediu que Bohr e Einstein viessem para revogar o caráter absoluto de sua física pretensamente onisciente. Claro que a minha distância de Newton é menor do que a que me separa de Einstein ou Bohr... Melhor nem comentar que esses dois gênios não concordavam em nada...

Enfim, o que nos interessa, aqui no substrato do QI normal, é que uma verdade só vale dentro de certos limites.

Estamos falando de uma ciência estruturada e submetida ao mais rigoroso método depurativo de comprovações de toda ordem. Nada disso impede que existam verdades e verdades. Que poderíamos dizer das questões transcendentes? Será que merecem melhor sorte as ditas verdades sagradas? Duvido muito...

Chamo verdades sagradas a todos os postulados que, seja por que motivo for, estejam em algum recipiendário da crença humana. Não apenas os postulados religiosos, como também aqueles que aceitamos por nos bater com foros de verdade.

Concordo que não tem nenhum senso prático discutir, por exemplo, sobre a Divindade... O homem cria Deus à sua imagem e semelhança desde sempre. Não poderia acrescentar nada.

Contudo, dentro dos limites de nossa capacidade interpretativa, em homenagem ao sentido essencial do termo inteligência, proponho que tenhamos por orientação fundamental que tudo é relativo. Claro que a simples frase tudo é relativo é, por si só, um postulado absoluto; mas, tudo bem, já que não desejamos ficar oscilando no pêndulo de nossas paupérrimas possibilidades de comunicação.

Veja-se que a Física bem nos mostra o aspecto cíclico do desenvolvimento do conhecimento. Uma concepção inicialmente tida como absurda costumeiramente acaba sendo aceita posteriormente, sob novos fundamentos. Insisto, isso ocorre com a Física.

Ora, por muito mais forte razão, nas sendas do conhecimento desprovidas do rigor do método científico, devemos ter por premissa que ideias aparentemente absurdas podem, sim, ter fundamentos que, apenas e tão somente, ainda nos são desconhecidos.

Da mesma forma, tanto quanto os cientistas ofertam explicações o mais completas quanto possível, momento a momento no desenvolvimento da ciência, os buscadores das verdades espirituais devem sempre ter em mente que os conceitos e explicações, sejam de que mestre sejam, devem ser aceitas como o que nos cabe momento a momento no desenvolvimento do ser humano.

Nem Isaac Newton nem os mestres mentem.

A diferença entre eles é que o cientista limita-se por si mesmo, enquanto que os mestres respeitam-nos os limites. Porém nenhum deles pretende que seja alguma forma de sacrilégio buscar além do que está, em cada momento, esclarecido.






quinta-feira, 23 de junho de 2011

EsoEstudos - Estudos Esotéricos Livres

Um clipe de música que bem serve de ilustração para a projeção astral.



Corpo Mental - referência - André Luiz


A referência ao corpo mental não é muito comum nas obras espíritas. Mas não se pode dizer que o tema não tenha sido abordado. Vejamos:

Para definirmos, de alguma sorte, o corpo espiritual, é preciso considerar, antes de tudo, que ele não é reflexo do corpo físico, porque, na realidade, é o corpo físico que o reflete, tanto quanto ele próprio, o corpo espiritual, retrata em si o corpo mental que lhe preside a formação.
[Evolução em Dois Mundos - pág. 18]

No livro referenciado, há uma nota do autor espiritual muito interessante:


O corpo mental, assinalado experimentalmente por diversos estudiosos,é o envoltório sutil da mente e que, por agora, não podemos definir com mais amplitude de conceituação, além daquela em que tem sido apresentado pelos pesquisadores encarnados, e isto por falta de terminologia adequada no dicionário terrestre. (Nota do Autor espiritual)


Luiz Gonzaga Pinheiro (O Perispírito e suas Modelações) oferece a seguinte ilustração:








sábado, 18 de junho de 2011

Deus e deuses...

A cosmoética parece mesmo subentender um padrão vibratório irresistível. O ente coletivo formado, digamos, pela população de lobos de um bioma está sob a ação de um Espírito-grupo, tanto quanto todas as demais populações bióticas, cada qual sob a influência de um. Quando pensamos em vegetais ou animais, concordando ou não com a teoria dos Espíritos-grupo, não causa maior estranheza. Começa a complicar quando pensamos no ser humano. Há quem defensa a tese de que a população humana compõe um ente coletivo também sob a influência direta de um Espírito-grupo (não se utiliza essa denominação, mas fica mais fácil assim dizer). Quem assim pensa, entende que a individualidade e o livre-arbítrio de cada ser componente do ente coletivo são algo como funções complexas que partem de uma inteligência original, que se desdobra e se projeta.  Como o Espírito-grupo é inimaginavelmente mais complexo que cada ser humano, é tido como um deus a quem esses seres humanos sentem-se vinculados. O Espírito-grupo da humanidade terrestre seria diferente do Espírito-grupo da humanidade de outro orbe. A interação do Espírito-grupo com cada ser humano seria a força irresistível a que costumeiramente se denomina "ascendência moral". Um Espírito mais avançado que o comum da humanidade estaria para o Espírito-grupo como um foco mais adestrado e bem burilado do que o geral. Os Espíritos, por assim dizer, trevosos, seriam focos menos adestrados, submetidos ao sabor de uma influência maior do cabedal de automatismos. O Espírito-grupo da Terra seria o que muitos denominam Cristo Planetário. Um deus que, não sendo "o Deus", estaria ainda em progresso, exercendo dentro de seus limites a capacidade de participar da Obra, inclusive quanto à criação de focos de inteligência --- a partir do princípio inteligente até entes individualizados. "Sois deuses"... Será?

terça-feira, 14 de junho de 2011

A Psicometria - Visão Espírita (André Luiz)

A psicometria pode ser assim conceituada, segundo André Luiz: "A faculdade de ler impressões e recordações ao contacto de objetos comuns" (Nos Domínios da Mediunidade - pág. 224). Quem já leu o capítulo "Laboratório do Mundo Invisível" de "O Livro dos Médiuns", bem sabe que o pensamento movimenta e amolda formas nos fluidos ambientes. Dessa forma os Espíritos apresentam-se vestidos e munidos dos apetrechos mais comuns ao seu dia-a-dia. No caso da psicometria, o fenômeno é inverso. 

Sempre que o pensamento focar um certo objeto em recordação constante, mesmo inconscientemente, esse objeto ficará imerso nos fluidos correspondentes a esse pensamento. Um fluido --- somos quase sempre tentados a assim pensar --- não é como um fluido físico, algo como uma substância que parte de uma fonte em direção a algo. Não. É uma irradiação, um fenômeno ondulatório que se propaga no fluido cósmico que a tudo permeia.

Assim, o pensamento provoca agitações no fluido cósmico e se propaga. Tão logo encontre o alvo para o qual,  enquanto fenômeno ondulatório, foi irradiado, nele induz semelhantes vibrações por ressonância. O fluido cósmico que interpenetra o objeto do pensamento nele se agita sob a modelagem inicial do pensamento.Por isso o objeto ganha uma aura de vibrações tão fortes quanto mais homogêneo e constante for o pensamento irradiado.

Vejamos novamente André Luiz: "Todos os objetos que você vê emoldurados por substâncias fluídicas acham-se fortemente lembrados ou visitados por aqueles que os possuíram." (ob. cit. - pág.225).

Uma pessoa com suficiente sensibilidade, ao tocar um objeto assim, perceber-lhe-á a mensgem codificada no pensamento original. É assim que os psicômetras podem descrever o dono de um objeto. Dependendo do que o objeto represente para o seu dono, toda uma cena poderá ser percebida, como o evento em que foi recebido como presente, ou algo semelhante.

Mas a psicometria só existe se o objeto estiver, efetivamente, sob o pensamento de alguém. Caso contrário, não terá em si as vibrações emanadas do pensamento e, portanto, nada haverá a ser percebido.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

TERMINOLOGIA ESOTÉRICA - II

2.3.   CORPO ASTRAL –  É o Corpo Espiritual, o Perispírito (Espiritismo), o Psicossoma (Espiritismo / Conscienciologia), o Manomayakosha (Índia). É o veículo de manifestação da consciência no qual se ambientam os fenômenos emocionais. Ganha a designação corpo dos desejos no rosacrucianismo de Heindel.
2.4.   CORPO MENTAL / CORPO CAUSAL – É o veículo de manifestação da mente – o mentalsoma. Usando a conceituação de Heindel, o corpo mental é o corpo em que se manifesta o ser no Mundo do Pensamento Concreto. Fazendo uma integração com a Teosofia, o corpo causal é o veículo de manifestação no Mundo do Pensamento Abstrato. No mesmo contexto, a Teosofia fala em Manas inferior e Manas superior – Manas inferior é a individualidade, a personalidade que se reconhece, é o agente do livre-arbítrio. O corpo causal ambienta-se no mental superior.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

TERMINOLOGIA ESOTÉRICA


Iniciaremos uma sequência de estudos sobre a terminologia empregada nos estudos do Ocultismo.


1.      PRÓLOGO - Há miríades de conceitos esotéricos referenciados pelos mais variados termos conforme a escola ocultista, a época, a região etc. Conquanto seja isso certamente comum e normal, causa toda sorte de confusões entre os estudantes.
1.1.   Blavatsky, por exemplo, máxime em sua magnífica obra “A Doutrina Secreta”, busca o tempo todo dar ao leitor a melhor noção possível sobre as expressões sânscritas tão comuns em suas dissertações. Paralelamente, o esoterismo ocidental sedimentou termos que permanecem no discurso contemporâneo com a mesma freqüência da Idade Média.
1.2.   Max Heindel, ao seu turno (Fraternidade Rosacruz), também propõe terminologia própria como se vê do monumental “Conceito Rosacruz do Cosmos”.
1.3.   Pois bem. Sem quaisquer pretensões propomo-nos a alguns apontamentos, que, espero, prosseguirão posteriormente, sobre o que há de comum entre os termos mais encontradiços nos textos ocultistas em geral. Não buscamos nada além de uma singela contribuição. Todos os desacertos que forem identificados pelo leitor podem (e devem) ser indicados para a correção e aperfeiçoamento que só a colaboração dos estudantes permite.
2.      VEÍCULOS DE MANIFESTAÇÃO DA CONSCIÊNCIA - Consoante o ensinamento comum nas correntes ocultistas, a consciência tem vários veículos de manifestação. Basicamente, temos o corpo físico, o duplo etérico, o corpo astral e o corpo mental. Na verdade, há pelo menos mais três veículos indicados na literatura esotérica, mas sobre eles quase nada existe nos ensinamentos.
2.1.   CORPO FÍSICO – é o veículo material, fisiológico, composto de substância ponderável. Por ser composto de matéria densa é denominado também litossoma.
2.2.   DUPLO ETÉRICO – é comumente designado como a ligação entre o corpo espiritual e o corpo físico. Na Índia é conhecido como Prânamâyakosha e, na Alemanha, Doppelganger. No âmbito da Projeciologia/Conscienciologia (Waldo Vieira) é designado Holochacra.
2.2.1.      Seja qual for o termo, o duplo etérico é uma estrutura sempre e sempre vinculada ao Prana – o Princípio Vital, a Energia Vital, a Força Vital. O duplo etérico é um veículo estrutural que se destina a absorver o Prana através dos chacras e, consoante determinado processo, transferir para o corpo físico.
2.2.2.      O duplo etérico não é um veículo autônomo de manifestação da consciência. Extinto o corpo físico, o duplo etérico perdura por mais algum tempo, mas, enquanto ainda existente, não pode servir de veículo para manifestação dos impulsos que advêm do corpo mental.