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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Que a mão esquerda não saiba o que faz a mão direita...

Desborda da concepção tradicional desse ensinamento um de seus aspectos, talvez, o mais relevante. O combate aos exageros da vaidade que, quase sempre, levam a um exacerbado personalismo tem raízes bem mais profundas que o aprendizado cosmoético em seu caráter formal.
A Lei da Unidade já foi abordada sobejas vezes nos textos esotéricos das mais variadas correntes espiritualistas, em todos os tempos e culturas. No entanto, tal qual o vislumbre faiscante de uma inspiração, certas verdades simples só vêm à mente como o corolário de uma normalmente longa série de vivências que cada ser ultrapassa na luta de seu dia a dia.
Sim, não basta anunciar uma verdade. Não é suficiente demonstrar essa verdade com bem alicerçados fundamentos. Só mesmo depois que a Vida sucede com sua Alquimia impiedosa, submetendo a Alma ao solve et coagula, essa verdade se desnuda do chumbo fosco para uma áurea percepção tão instantânea quanto o primeiro brilho lançado ao olhar do atônito iniciado.
Bem e Mal são aspectos de uma mesma realidade. Conquanto reais e efetivos cada qual em seus momentos de expressão, guardam na essência a comunhão da origem: a Harmonia Universal.
Não precisamos nos alongar nos meandros filosóficos intermináveis que daí poderíamos facilmente extrair. Seja como for, o ser humano, mal saído da plena animalidade, experimenta, quase sempre sob confusas ideações, sequências mais ou menos longas de consciência lúcida consoante a experiência na Vida assim invoca de sua essência anímica.
A mente insipiente nas maravilhas do intelecto é como uma CRIANÇA que abre uma imensa caixa com miríades de brinquedos, todos diferentes e muito atrativos. Conforme o Uno Impessoal manifesto em cada ser movimenta a centelha em seu crescimento e força, essa criança se apega aqui e acolá, neste ou naquele grupo de brinquedos. Toma de alguns para guarda-los egoisticamente sob um dos braços enquanto, com a outra mão, agita-se na ansiedade de não deixar passar, talvez, algo ainda mais fascinante.
Busca e busca ao mesmo tempo em que brinca com os preferidos. Confunde-se ao atirá-los longe sob o desesperado anseio de ir logo buscá-los de volta. Vez por outra, cansa-se e se apaixona por outros que, afinal, como não pudera ainda ter notado?
A Alma humanizada é uma CRIANÇA ávida por algo que não tem a menor condição de definir.
Mas aprende logo que algumas experiências com as coisas da Vida trazem maior prazer que outras, ao mesmo tempo em que descobre um fenômeno com o qual terá que conviver praticamente todos os dias: a dor. A dor, sem seu sentido mais amplo. A dor de perder algo que muito desejava. A dor de perder por esquecer-se. A dor de perder por ter atirado longe demais. A dor de ter tentado manter algo insustentável por suas forças. Enfim, a dor.
Outra dor lhe é apresentada pela Vida. Descobre-se como alguém que tem mais alguém consigo, igualmente ávido pelas coisas da Vida que deveriam, é claro, ser apenas e tão somente dela. Quem é esse outro alguém que simplesmente vem e vai pegando “suas” coisas?
A Alma humanizada é uma CRIANÇA e, como tal, é muito egoísta.
Bem por isso, a forma de lidar com as coisas varia quase ao infinito. No mesmo passo, o modo de encarar, de conceber, de perceber o mundo à volta baila ao sabor do gosto pessoal. Não é diferente com a noção de certo e errado, de Bem e de Mal.
Que a mão esquerda não saiba o que faz a mão direita...
A realização da Obra passa por toda sorte de idiossincrasias. A Harmonia Universal, no mais saboroso paradoxo dos místicos, manifesta-se exatamente naquilo que costumamos designar como “o caos”. A entropia é uma grandeza da mais ortodoxa ciência. Aliás, observe uma imagem, digamos, de 20m por 20m, com o nariz a um centímetro do centro. A cabeça fixa, apenas com o volver dos olhos, observe essa imagem e tente descrevê-la. Agora pense no que veria se estivesse, por hipótese, a uns 50m dessa mesma imagem.
O caos é a ignorância dos contornos exatos de um sistema. O caos é a percepção limitadíssima de uma ínfima parcela da Harmonia Universal.
Mas existe a Harmonia Universal. Apesar de todas as idiossincrasias e autênticas sandices humanas, tudo e todos estão inseridos em um sistema que leva a tudo e a todos na correnteza da Vida.
Até mesmo as coisas mais aparentemente ignóbeis. Até mesmo as monstruosidades. Até mesmo o Mal.
No transcorrer do desenvolvimento humano, em decorrência do Aprendizado a que deve se submeter pela Vontade do Criador, cada centelha da Vida se agita e vai angariando maior consciência. Porém assim não é senão à conta das experiências, muitas de sabor desagradável, que se sucedem nas (infinitas?) eras, milênios, séculos, décadas, enfim, no concerto do Eterno. O que é agradável à sensibilidade imediata, e esse é um caráter mais ou menos constante da própria vida humana, raramente é edificante dos valores cosmoéticos que o ser, desejando ou não, termina por aquinhoar.
A criança experimenta um alimento saboroso e, desde que não impedida, comê-lo-á até que o organismo não mais suporte. O homem ainda tem muito dessa criança em si. Busca e busca. Seus olhos nunca se cansam de ver, como ecoa Tomás de Kempis com Provérbios 27:20.
A Vida ensina os contornos do bom-senso do único modo capaz de convencer em definitivo a Alma. Não será sob castigo ou ameaças que o homem deixará de fazer ou de omitir-se, mesmo com toneladas de avisos, ensinos, iniciações, cátedras e mais cátedras. Só a experiência, a reiteração, a livre condução diante dos fatos e circunstâncias do mundo é que cada ser humano delineia em si os valores profundos que, sob estertores ou no mais abismal silêncio, passam a compor sua própria essência.
E isso leva tempo. Coisa que o Eterno tem de sobra.
Em meio à sua jornada, o homem nada atavicamente no rio da Vida como um peixe. Num momento a favor da correnteza, noutro contra, mais acima, mais abaixo, com rapidez, lentamente. Mas jamais, nunca, por força alguma, deixará de nadar estritamente no traçado do rio. O rio da Vida lhe garante o livre arbítrio do uso de suas nadadeiras, mas o mantém sob a correnteza e no exato lugar que, minuto a minuto, faça ele por merecer estar no traçado das águas.
O rio da Vida varia em trechos entrecortados, estreitos, largos, fundos, raros, com muitas ou poucas pedras. Em sua viagem, o homem adota a postura que lhe parece a melhor em cada fase. O mais interessante é que faça o que fizer, aja como agir, estará no lugar certo no momento exato. Mesmo quando se põe ao fundo, junto ao leito lodoso, escuro, absorvendo o aprendizado do quão menos dificultosa é a navegação mais alta e sob claridade. Entrelaçam-se infinitas possibilidades e o homem, por um lindo capricho da Vida, por vezes deixa o fundo e, seja por seu mero exemplo ou por efetiva interação, evita que outrem continue em sua pretensão de descida. A Vida muitas vezes é encantadoramente poética.
Não houvesse alguém se precipitado no abismal egoísmo e não seria possível evitar que outros desencantados trilhassem a mesma tragédia. Felizmente não são poucos os que se convencem integralmente pelo exemplo tristemente assistido de quem precipitou-se e protagoniza a agonia do retorno.
Mas o rio da Vida é a manifestação da Criação. Não será por outro motivo que a Natureza mantém peixes e peixes, homens e homens, Almas e Almas. O abismal habitante do nicho profundo das águas turbulentas e escuras é instrumento tão importante e indispensável quanto qualquer outro no concerto da Harmonia Universal.  
Que a mão esquerda não saiba o que faz a mão direita...
Os que escolhem o Caminho da Mão Esquerda, tenham ou não consciência do que sejam diante do Criador, estão sempre e sempre sob a mesma Harmonia Universal que é a Vondade de Deus. Ignoram seguidas vezes o imenso Bem que fazem aos que optam pelo Caminho da Mão Direita. Tampouco esses imaginam o tanto que têm a agradecer a seus irmãos de senda invertida.
Esse texto tem apenas a pretensão de agradecer a TODOS os seres que Deus criou, sem nenhuma exceção. Como cantava Raulzito, o Bem e o Mal num romance astral.


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