terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Subjetivismo Exacerbado

Há um excessivo apego à subjetividade nos tempos atuais. Isso se manifesta desde a assunção de concepções particulares acerca de tudo, mesmo à ilharga de maiores considerações sobre a autoridade dessa ou daquela opinião, até à tese, algo mirabolante, de que tudo o que existe compõe a percepção intrínseca de cada um. E assim o ser humano progride no exercício de sua liberdade de pensar, exacerbada, vendo-se pessoas deitadas sobre o orgulho ter uma convicção pessoal sobre quaisquer assuntos, até mesmo aqueles amplamente ignorados. Na seara filosófica, e também mística, muitos são os que invocam conceitos mal compreendidos para assentar uma visão simplista de que só existe o que há em minha percepção.

Nesse contexto, coisas como postulados de física quântica são mencionados, em vôo rápido, para dar pretenso fundamento à noção deformada de que só existe a consciência. Ainda outro dia, num filme sem nenhuma pretensão, em cuja cena embalava-se um personagem nitidamente insano, as crianças correndo numa praia estancavam imóveis sempre que ele mudava a atenção para outros pensamentos.

Há quem creia que seja assim mesmo.

Mas, nessa mesma praia, permito-me cogitar, se alguém resolve revolver a areia em busca de conchas poderá encontrar, digamos, um anel. Alguém perdeu o anel que, sob efeito dos remansos, afundou na areia e ali permaneceu. Quem o perdeu nem imagina --- por óbvio! --- onde está; quem o acha, por igual, toca-se de absoluta surpresa.

Um cidadão apressado desembarca em um movimentado aeroporto. Sob reforma, o local se ressente das indicações necessárias para o bom fluxo dos pedestres. O sujeito, com olhos fixos no celular, buscando no Google Maps seu destino, dá com a testa na imensa porta de vidro ainda sem a conveniente faixa amarela que a denunciaria a todos.

Dois exemplos simplórios, porém eficazes, na indicação de que nem tudo o que efetivamente existe e pode conosco interagir deve estar previamente em nossa consciência.

Se alguém coloca veneno no vidro de remédio de incauto paciente, certamente alcançará o efeito mortal mesmo com a absoluta e plena convicção da vítima sobre a eficácia curativa do medicamento.

Leandro Karnal, com sua verve inexcedível em brilhante exposição, menciona que hodiernamente os jovens, quando muito, lêem um ou dois parágrafos de Kant, para logo em seguida anunciar não concordo com isso! Eis aí, também, um aspecto do excessivo subjetivismo que hoje viceja.

A metamorfose ambulante de Raul Seixas impregnou, com sua sedutora filosofia autossuficiente, o pensamento de muitos. A mesma exponenciada rapidez com que tudo é analisado e valorado hoje em dia tem feito com que conceitos complexos do esoterismo sejam aviltados em exposições primárias, simplificando-se ideário abrangente em definições paupérrimas.

Isso já vinha ocorrendo em grande escala com o Espiritismo.

A noção que a maioria tem de causa e efeito no contexto da Doutrina Espírita, com raízes no conceito de karma dos orientais, parece sempre levar a uma tabuada absurda em que ficam tabelados efeitos para os crimes cometidos. Se fulano matou-se com um tiro na cabeça, renascerá com problemas mentais. Se beltrano matava com estocadas no coração, renascerá com problemas cardíacos. E assim por diante. Não são poucos os que pensam assim, pondo o Universo sob um fatalismo essencialmente vingativo, numa relação de crime e castigo em que a consciência --- eis aqui um paradoxo para quem tudo credita à consciência --- nada tem de relevante.


Esse subjetivismo simplista que esculpe noções aberrantes sobre temas complexos vem reduzindo a capacidade de análise a um lanche Macdonald, pego em drive-thru, devorado sem nenhuma – sequer – curiosidade sobre seu conteúdo.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Letter to the Universe - Merry Christmas!

I'm tired of thinking about the gratuity of life. I'm tired because living is a painful journey. Pain is inevitable while the suffering is optional. We can do nothing when life brings us moments of sadness.

We give up the fight? Certainly not...

But we can seek a less strenuous way. Lao Tzu says that knowledge brings to man the notion of their misery. It is not necessary to seek all the answers. We do not have to ask any questions about everything. It is often better to leave aside our curiosity.

The forbidden fruit of the Garden of Eden tree was the tree of knowledge. Precisely because he gave man a sense of himself. The forbidden fruit gave free will to man.

We have to evolve the freedom to the sense of duty. Full freedom is not good for our improvement. Without the sense of duty we can do nothing before everyone else.

OK ... Let it be!

This Christmas I wish you all that life brings much peace and serenity.

Happy 2016!

EsoEstudos - Estudos Esotéricos Livres

domingo, 6 de dezembro de 2015

Panteísmo

Ainda outro dia assisti a um programa de divulgação científica, salvo engano, originário da BBC de Londres, em que cientistas retiraram a base estrutural, de colágeno, de um coração de porco e passaram a aplicar sobre essa estrutura células-tronco humanas.

Independentemente dos vários quilômetros de meandros científicos, o que se tem é que, conforme as células-tronco são aplicadas sobre a estrutura já formada de um determinado órgão, essas células simplesmente respondem com a especialização de células correspondentes a tal estrutura.

Então é assim. As células, de alguma forma, percebem que a estrutura é de um coração (mesmo de outra espécie, mas suficientemente parecido) e passam a formar os tecidos adequados do órgão correspondente.

Essa pesquisa é uma das mais promissoras para que o homem, um dia, possa forjar um coração 100% compatível caso precise de um transplante.

Ora, como assim as células percebem que a estrutura é de um coração e passam a especializar tecidos adequados !!!?

Não se trata de um comando cerebral. Não se cuida de nada além da colocação das células-tronco sobre uma estrutura. Como é que as células sabem, detalhe por detalhe, como devem ser os tecidos que hão de preencher a estrutura de base?

Detalhe: o coração que os cientistas já puderam desenvolver (ainda insuficiente), já atingiu capacidade funcional de cerca de 25% (!!!). Ele pulsa. Sozinho. Basta mantê-lo em condições que simulem sua conexão com um organismo. O documentário exibia o coração num vidro, submerso em um líquido e conectado a tubos. Pulsava.

Muito significativo que esse experimento, apesar de feito sem nenhuma intenção metafísica, põe em cheque a tese do Modelo Organizador Biológico, pelo qual o psicossoma, ou perispírito, seria a matriz para as estruturações físicas.

Uma base de colágeno de porco dá ensejo à formação de tecidos humanos com o uso de células-tronco. De todo modo, como a ciência não dá explicação alguma, é de se arriscar a elaboração de tese ainda metafísica para o fenômeno. Seria o caso de condução extrafísica do experimento? 

Nunca me agradei da informação que compõe a tradição esotérica no sentido de que o psicossoma percebe e funciona por toda sua estrutura, não ostentando células ou órgãos especializados. Já o Espiritismo, notadamente com as obras psicografadas de André Luiz, veio afirmar que, sim, o perispírito tem células, órgãos, sendo o corpo físico um seu reflexo, e não o oposto.

Mas, como interpretar o fenômeno da especialização por células-tronco?

Cada célula do organismo tem em seu núcleo a codificação genética de todo o soma. No caso das células-tronco, além de ter essa codificação, permanece a capacidade de especializar as células que delas se originam. Então, cada célula-tronco é um universo em potencial para a formação de todo um corpo, de todo um organismo, um macrocosmo em que macromoléculas bailam sob uma multiprogramação de tudo abrangente.

Cada vez mais reacende a visão dos antigos sobre o Panteísmo. Os espiritualistas ocidentais abandonaram a visão panteísta reputando absurda a tese de que somos partes do próprio Criador. O Espiritismo nega veementemente o Panteísmo.

Contudo, a forma como apreciam a questão é simplista e totalmente incompleta.

Quando pensamos em coisas como o tema dessa postagem o Panteísmo se apresenta novamente à consideração com um mínimo de profundidade para uma concepção menos superficial.

Afinal, diante dos Espíritos-grupo dos metazoários que habitam esse orbe, nada estranho que essa Humanidade advenha de um Espírito-grupo também.

sábado, 28 de novembro de 2015

Gratidão: a chave da alquimia interior.

A gratidão é um tesouro anímico que ultrapassa, em muito, as conveniências ou etiqueta humanas. Recurso indispensável para a paz, estimulante da boa convivência, a gratidão geralmente não é considerada em si como uma prática de cunho iniciático, uma conduta voltada à conquista de estados mais elevados da alma humana.

Mas é.

Os discípulos de Masaharu Taniguchi bem sabem da importância de agradecer por tudo, o tempo todo, mantendo esse pensamento até que se torne automático diante das coisas da vida.

Max Heindel, como já abordado neste Blog, nos oferece preciosa parábola de Jesus. Estava o Mestre com os apóstolos quando, diante de uma carcaça apodrecida de um cão e vendo a repugnância que vários manifestavam, proclamou em atitude alquímica: nem as pérolas têm o branco de seus dentes.

Eis aí. O Mestre empregou o Bem diante do Mal e, assim, transmutou-o.

Há muito em comum entre essa parábola e o presente tema. É também, e sob fenomenologia semelhante, uma atitude alquímica manter a gratidão diante de tudo na vida.

Deveras.

A gratidão é uma daquelas posturas que --- e nisso há imensa vantagem quando a praticamos --- traz efeitos psíquicos profundos sem exigir grande concentração. Quando, diante de uma provação, verbalizamos algo como "obrigado meu Deus por trazer-me essa oportunidade de ascensão", imediatamente experimentamos um efeito interior de leveza e nos aquietamos. De fato nos ajuda a evitar revolta e ressentimento, venenos óbvios que as adversidades costumam nos inocular.

Vale repetir. A gratidão traz efeitos concretos em nosso psiquismo mesmo que o sujeito não medite profundamente sobre o caso. Desde muito cedo percebemos em decorrência da própria vida que o agradecimento vem acompanhado de algo bom, agradável, algo que nos traz alegria, alívio, enfim, que nos dá paz interior.

Não será necessário aclarar que não estamos falando da postura irônica dos que, sob deboche, agradecem para significar o sentido contrário. Nisso não há, a rigor, agradecimento, senão uso de palavras para o emprego do sentido cínico com que a pessoa reage em determinados momentos.

Falamos do agradecimento puro e simples. Não é preciso levantar análise filosófica sobre o que pretendemos ao agradecer. Basta que manifestemos nossa gratidão como meio de reconhecer que há um propósito superior em todas as situações e circunstâncias que se desenham em nossa vida.

A cada momento da jornada o ser deve agradecer, seja com palavras, seja apenas no recato de seu pensamento, diante de tudo o que se lhe apresente no caminho.

Muitos imaginam que aí não reside senão postura fantasiosa e pueril. Mas é uma das mais importantes chaves alquímicas que se aprofundam em fatores inimagináveis. Por isso mesmo, é uma postura de extrema eficácia. 

Agradeça. Sempre. E seja feliz.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Umbanda - Encruzilhadas e Falanges

Não são poucas as vezes em que a Vida nos convida a optar por caminhos muito diferentes entre si. São as encruzilhadas de que tantos Espíritos nos falam, adotando nomes que expressamente referem-se a essas disjunções de jornada. Não foi outro senão o Caboclo das Sete Encruzilhadas que deu início à Umbanda, uma religião espiritualista que agrega, desde o nascedouro, as camadas mais pobres da população, desde o início do século XX. Por que adotou esse nome? Segundo se diz, em razão de ter sido um padre inquisidor que reencarnara no Brasil como caboclo, tendo absorvido a cultura africana e seu sincretismo com a religião católica no âmbito dos vários cultos desenvolvidos pelos escravos. Ao ser questionado sobre sua identidade houve por bem, no contexto do planejamento de instituir um culto espiritualista para as classes socialmente menos aquinhoadas, adotar uma denominação que ressoaria na alma exatamente daqueles que já se embalavam nos conceitos oriundos dos cultos afro-brasileiros. Expôs-se como alguém a quem não haveria caminhos fechados. Ou seja, alguém que teria vencido as encruzilhadas da Vida. O Caboclo das Sete Encruzilhadas adotou o significativo numeral “Sete”, provavelmente por sua natureza mística, cabalista, tomando-lhe o sentido de completitude.  Ao mesmo tempo, deixou desde logo claro que o irmão de jornada na Terra havia que enfrentar as encruzilhadas da Vida e vencê-las.
Indivíduos com alguma instrução catedrática mal disfarçam o descontentamento com os termos simplórios em geral, buscando reforçar as convicções pessoais sob roupagem mais elaborada, por baixo da toga de uma terminologia rebuscada e, algumas vezes, até exótica. Veem um caráter primário nos nomes adotados pela Umbanda mas não enxergam o exotismo de neologismos que, em certos casos, invocam estranhos construtos de palavras por justaposição ou aglutinação. Isso, sem mencionar que há milênios conceitos são expressos nessa seara, pelo que os termos da Umbanda, tanto quanto de qualquer corrente espiritualista, são igualmente válidos desde que compreendidos em seu concerto doutrinário.
Encruzilhadas... Que ninguém, pois, tenha pudores elitistas com o uso dos termos, tirados do comum dia-a-dia dos mais humildes, na expressão de verdades do Espírito, inúmeras vezes vertidas sob linguajar tão rústico quanto elevado é o conhecimento e estatura do Espírito comunicante. Na Roda da Vida são miríades de Espíritos que retornaram ao vaso carnal em experiências toscas nas roças de escravos, nos híbridos de raças que compõem o próprio brasileiro. Tais Espíritos guardam as mais variadas origens. Alguns foram sacerdotes endividados com o Destino; outros, místicos que agrediram o senso de outrem com interpretações desviantes da inevitável Lei do Retorno. Já foi descrito que Espíritos sob a roupagem de um meigo Preto Velho ocultam túnicas que só os grandes iniciados das Escolas de Mistério podiam envergar. Então, todos os Espíritos que se comunicam nos cultos da Umbanda são seres dotados de elevado conhecimento? Claro que não. Isso não é verdade para nenhuma corrente ou religião espiritualista deste orbe. Mas os que comandam os rumos das imensas equipes de obreiros, amparadores, mensageiros, são, sim, Espíritos cunhados nas lições fundamentais em que ainda nos demoramos.

Aliás, outro termo que causa repúdio a tantos é falange. Na Umbanda não se costuma dizer que há equipes de amparadores, mas sim falanges desta ou daquela Entidade. Resguardo-me de mais comentários. Pouco importa o nome que se dê. Que todas as falanges chefiadas por Caboclos ou Pretos Velhos, ou quem for, realizem o trabalho de Luz que só os mais desavisados da senda espiritual podem ignorar.

sábado, 7 de novembro de 2015

ORIXÁS - CAMPOS VIBRACIONAIS CARACTERÍSTICOS - XANGÔ

Já se falou por aqui acerca dos Orixás: Orixás - Vibracoes - Emanacoes da Divindade

Agora, meditemos sobre as características de cada Orixá. Progressivamente, estudemos juntos cada um deles. Não pretendemos reeditar as miríades de estudos sérios e bem fundamentados que existem à disposição do leitor na internet. Tentaremos, apenas, agregar alguns aspectos.


XANGÔ

Nas mais variadas vertentes dos cultos de origem africana, sejam afro-brasileiros (como o Candomblé), seja na brasileiríssima Umbanda, Xangô é sempre vinculado à JUSTIÇA, tomada essa na acepção mais ampla. Os filhos de Xangô --- ou seja, todos os que sintonizam mais harmonicamente com o padrão vibratório desse Orixá, comungando da Egrégora dos que se afinam com o ideário da retidão, correção, honestidade, firmeza, rigidez --- embalam-se, em sua grande maioria, em atividades correlatas da sociedade humana.

Sempre bom lembrar que na Natureza há homogeneidades desde o micro até o macrocosmo, todas interpenetrando-se, de modo que não há uma tabuada onipotente que fixe o destino ou as atitudes de alguém tão só por ser filho deste ou daquele Orixá. No entanto, é, de fato, muito comum que sejam filhos de Xangô os juízes, advogados, servidores do Judiciário, enfim, a grande maiorida das pessoas que se inserem nas atividades que gravitam em torno da instituição Justiça.

O filho de Xangô sempre pensa no que é certo e errado, não admitindo, em geral, meios termos.

Esse é o aspecto mais vocacionado ao tom humano de Xangô. Mas, enquanto vibração, emanação da Divindade, isto é, enquanto Orixá, Xangô tem seu matiz intrínseco à Natureza em si (padrão Elohim), o que se traduz, no rico simbolismo da Umbanda, muito comumente na acepção de Xangô das Pedras.

Pedra, no sentido de rigidez. Porém não só rigidez: rigidez cristalina. De fato, o cristal é uma pedra de belíssima expressão. Ainda assim não é a beleza que mais importa aqui. Xangô é o reticulado cristalino, a depuração dos arranjos de força em equilíbrio absoluto que determina a formação das mais rígidas e geometricamente bem definidas estruturas da Natureza.


Em cima, como embaixo.

A Alma humana peregrina pela Vida aprendendo a ser reto, honesto, escorreito, com toda a rigidez que tais virtudes exigem. É um minério que se depura na conquista do espaço sob os mais estáveis posicionamentos geométricos de suas partículas essenciais.

Bem por isso as entregas (oferendas) a Xangô serem feitas comumente nas pedras de uma cachoeira. Diz um ponto cantado de Umbanda que Oxóssi é rei das matas, mas quem manda na pedreira é Xangô. Emanações do Criador se harmonizam. Canta-se, também, que mamãe Oxum foi colher lírios na cachoeira.

É preciso interpretar o riquíssimo simbolismo de Umbanda. Não será senão à conta de desconhecimento que adjetivações pejorativas serão lançadas ao belo panteão de Orixás da Umbanda.


Portanto, fica uma sugestão.

Não menospreze o que talvez pareça (sob uma primária, superficial e fragilíssima análise) primitivo. De primário nada tem. Quem tem olhos de ver, que veja. Quem não os tem, que se agarre às bengalas do preconceito.

CAÔ! CAÔ! MEU PAI XANGÔ!!!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Esoterismo e Religiosidade

Não vamos repetir tudo o que já dissemos sobre o esquema de evolução, as cadeias planetárias, a descida ao plano das formas etc. Tomemos, apenas, a fase final – no caso da nossa onda de vida – da descida ao plano físico. De se lembrar que – conquanto sempre e sempre mal explicado e compreendido – houve alguma coisa excepcional no momento do ingresso desta humanidade no plano denso.

Sim, alguma coisa excepcional. Em grande parte somos fruto de uma “rebelião” que, consoante os mais variados autores, já foi bastante associada ao nome “Lúcifer”. 

Basta considerarmos que o ser humano da Terra adquiriu sua plena individualidade, com consciência contínua, digamos, com alguma precocidade. O que de fato aconteceu, a rigor, ninguém deste planeta sabe. Mas é muito provável que – seja por ação de alienígenas (annunakis etc), seja por ação de seres outros, de planos extrafísicos – o ser humano terrícola foi despertado em sua consciência antes da total maturidade que o estágio antecedente reclamava.

Será? Não sei. Mas acho mesmo muito provável que tenha sido assim.

Certas entidades, que vêm se comunicando desde muito tempo com os homens através de médiuns, canais de comunicação (como, hoje, gostam de mencionar) etc, costumam dizer que o homem é muito precioso no seio da Criação. O homem da Terra é visto com muito carinho e misericórdia, tendo ficado no ideário cristão, por exemplo, o caráter de extrema tolerância de Deus para com seus pupilos tirados do barro.

Novamente, já abordamos isso por aqui.

O que se pretende destacar, agora, é que, simetricamente a essa precocidade na descida ao plano das formas (concomitante, então, com a aquisição precoce da consciência contínua - em decorrência da máxima restrição individualizante), cada evolucionário se vê na contingência de galgar com redobrado esforço o percurso equivalente na retomada da senda ascendente.

O pêndulo descia e, perto do ponto mais baixo, sofreu uma aceleração indevida. Assim, passa pelo ponto inferior com maior velocidade e, inevitavelmente, inicia a subida também com maior velocidade.

Isso tem uma consequência ácida para o ser pensante. É que a capacidade de raciocínio - amplamente estimulada desde o início pelas dificuldades intrínsecas ao meio ambiente - desenvolve-se com ampla desenvoltura. O ser aprende rápido e obtém resultados que lhe trazem vantagens na luta diária. Isso faz o ser ganhar grande gosto por esta faculdade desabrochada com antecedência. O homem passa a pensar, cogitar, analisar e criar meios para sua vida. Vê como as coisas podem lhe ser mais fáceis assim ou daquela forma, nem sempre pondo na devida conta a legitimidade cosmoética das atitudes assumidas.

Literalmente, a humanidade é como uma imensa população de animais pensantes. Animais que, ainda imersos na sanha intensa dos impulsos básicos, navegando nos instintos, tiveram os olhos da razão abertos, pelo que a capacidade de agir conscientemente, no mais das vezes, traz motivações que em primeiríssimo plano visam a satisfação de suas próprias necessidades e, quase no mesmo patamar, de seus prazeres e tendências.

A legitimidade cosmoética da conduta, que - ao menos em tese - viria concomitantemente engendrada no desenvolvimento do ser (caso não tivesse ocorrido o prematuro ingresso no plano das formas), passou a ser um valor futuro a ser conquistado: o senso de dever

Bem por isso Heindel nos fala que o livre-arbítrio será sucedido pelo senso de dever.

Os místicos não têm dúvida em dizer que o homem somente deve aventurar-se pela noção de verdades assim caso estejam no controle de seus instintos, não se permitindo deixar levar por nenhum dos pecados capitais. Situação bem rara. Por isso até hoje esses assuntos são tratados genericamente sob a denominação de Ocultismo, mesmo com o acesso amplo que existe atualmente a qualquer obra, autor ou assunto.

O rigor religioso, com tamanhas ameaças e terrorismo psicológico, não veio à Terra como uma simples deformação da cultura. Na verdade foi estruturado pelos que nos governam a evolução. Melhor estabelecer um sistema de grandes freios e restrições do que deixar a humanidade, livre e solta, ao sabor de seus apetites, alheios ao bem e ao mal.

Claro que um tempo em que inclusive esse sistema de frenagem entraria em colapso era previsível.  Daí a retumbante noção de os tempos são chegados.

E são mesmo. Na atualidade o homem, em sua maioria, não se pela de medo por quase nada transcendente. Não tem medo de Deus nem do Diabo. Neles não crê essencialmente. Como que os tolera. Só deles retoma a noção diante de dores pessoais intensas, ou cataclismos devastadores.

Imagino que não falte razão a quem defenda, na letra religiosa, que se está separando o joio do trigo. Vivemos o autêntico fim dos tempos. O que deu para incutir de cosmoética, foi incutido. Quem pôde apreender e desenvolver dentro de si o senso de dever, assim já o fez. Os que falharam nesse quesito, sofrerão o ranger de dentes.

Não é por outra razão que quase a totalidade dos místicos continuem reiterando ensinamentos cheios de religiosidade. Explicar o porquê disso ou daquilo seria extremamente penoso e de pouca eficácia. Melhor simplesmente reiterar o Deus que nos exige amor e obediência.

Para falar a verdade, concordo com eles.

Creio que haja mesmo quem possa passar ao largo da religiosidade. Mas são muito poucos. Poucos demais. A grande maioria de nós ainda depende - muito! - dos valores religiosos, sob pena de só nos darmos conta de nossos desvios da cosmoética depois de muito comprometimento perante os semelhantes e a Vida.

Deus, tenha misericórdia de nós! São Miguel Arcanjo nos proteja! Que Maria Santíssima interceda por nós!

Não se preocupe. Os destinatários dessas invocações não se importam - nem um pouco - com a designação utilizada. Nós é que - no seio de nossas vaidades - ficamos com toscos melindres e preconceitos.