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sábado, 12 de setembro de 2009

O Suicídio - 2

Outra ótica pela qual podemos abordar o tema “suicídio”, diz respeito ao aspecto filosófico-espiritualista. Por que o suicídio tem conseqüências diferentes da morte indesejada?

Imaginemos duas pessoas à beira de uma ferrovia, uma desejando jogar-se diante do trem que se avizinha e a outra buscando dissuadi-la. Admitamos que o suicida efetivamente deseja matar-se e que o seu amigo sequer cogita desse desfecho para si mesmo, buscando apenas ajudar o seu insensato companheiro. O trem se aproxima e o suicida, de um rompante, se joga nos trilhos; o amigo tenta agarrá-lo mas termina por desequilibrar-se e cai junto com ele. A morte do corpo físico se dá em condições idênticas para ambos. Os corpos são literalmente destroçados.

Do ponto de vista objetivo, as duas mortes ocorrem em situações idênticas. Como entender que o suicida tenha conseqüências diferentes do não-suicida?

Independentemente de considerações religiosas, o ponto mais relevante aqui é o elemento volitivo, a vontade interior, verdadeira, a motivação, o elemento psicológico que embala a conduta de um e de outro. A vontade de produzir a aniquilação da própria vida, como é óbvio, vai ao contra-azimute da evolução. O único ser vivo que eventualmente cogita de matar-se é o homem. Nem mesmo o escorpião preso numa roda de fogo se suicida, ao contrário da crença popular – de fato, o pobre animal termina por debater-se em busca de fuga antes de morrer por efeito do fogo (afinal, o veneno já existe em seu organismo). Mas o homem, sim. O ser humano vez por outra, aqui e acolá, ontem e hoje, causa sua morte diante do olhar estupefato que esse comportamento desperta nas demais pessoas. Há mesmo quem deseje matar-se, quem tenha o intento real e verdadeiro de se destruir.

O que ocorre quando existe a vontade real e efetiva de matar-se?

Diante dessa vontade os milênios de evolução falham em seus automatismos. Não há processos que se deflagrem diretamente com o evento porque o fato em si foi produzido sob o concurso consciente de uma vontade dirigida.

Se eu inadvertidamente encosto minha mão em uma chama, muito antes de qualquer conclusão a respeito os meus automatismos far-me-ão afastá-la com toda a rapidez. Uma ação do arco reflexo, alheia à minha consciência. Mas se eu desejar – seja lá por qual razão – colocar minha mão no fogo, conseguirei mantê-la ali até que os imperativos de dor vençam a minha vontade. Talvez por mais tempo.

Com o suicídio há algo análogo. Se a morte não foi em nenhum momento DESEJADA, todos os processos se desdobram consoante a natureza determina; no entanto, quando a morte ocorre por vontade livre e determinada do suicida, não é a alma que deixa o corpo físico – é o corpo físico que é retirado da alma.

Lá no nosso exemplo hipotético, enquanto Tício desejava morrer, Lívio buscava salvá-lo. Tício teve seu corpo destroçado e assim arrancado de sua alma; já Lívio, nas mesmíssimas condições, teve sua alma retirada de um corpo destruído.

Em termos espiritualistas, o desprendimento do corpo espiritual não se deflagra automaticamente quando o colapso do corpo físico é atingido por ação de uma vontade consciente. Cada ponto de contato entre um e outro, com todas as miríades de reflexos etérico-energéticos, tenta manter-se firme conquanto a base material seja destruída ou seja posta em colapso até sua destruição final. O efeito disso é um sistema desequilibrado por ostentar vínculos que são assim destruídos e não progressivamente desfeitos.

Daí dizer-se que o ser permanece “em perturbação” pelo tempo de vida que lhe restaria no corpo físico. Há mesmo um fundo de verdade nessa imagem que lembra uma punição, um castigo pelo pecado cometido. De efeito, o suicida leva muito tempo para reequilibrar o seu corpo espiritual, enquanto que o não-suicida, mesmo que tenha morrido em situações objetivas idênticas, tem esse restabelecimento automaticamente realizado pelo desprendimento natural.

Não se trata propriamente de um castigo. Como tudo na Vida, o que se tem é uma conseqüência. Causa e efeito. Carma, no dizer de muitos.

Também por esse aspecto, não devemos julgar o suicida. Não estará sendo castigado. Estará sofrendo tristemente as conseqüências de seu ato. Mas sempre e sempre por tempo determinado, não se aventando de penas eternas ou perdição perene.

Se alguém que você ama matou-se, ore por ele. Ore pedindo a Deus por sua alma. Peça ao Pai Eterno que o ajude, que o envolva com seu Amor. Não se revolte nem procure respostas, apenas ore.

Cada oração profunda e sentida é um jorro de energia radiante, uma bênção de Luz que Deus nos concede. Energia radiante que ajudará a reequilibrar os nós que mantêm a alma do suicida presa em seu desatino.

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